Existimos para glorificar a Deus e para servir uns aos outros no amor de Cristo. Queremos ser uma bênção na sua vida. Volte outras vezes! “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor”. Provérbios, 16:1.

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

COMO ENFRENTAR AS PROVAS

TEXTO BÍBLICO – Evangelho de nosso Senhor Jesus, segundo a narrativa de Mateus 26.36-46.

EXÓRDIO
Quero lhes dizer que há duas verdades inquestionáveis, confirmadas, absolutas, inevitáveis:
A primeira verdade é que todos nós, sem exceção, passamos, ou estamos passando, ou ainda iremos passar, por algum tipo tribulação que gera em nosso coração um profundo sentimento de dor e de angustia.
A segunda verdade é que nem todos nós, sairemos desses momentos vitoriosos. Nem todos conseguem sair desses momentos vitoriosos.
Mas nós podemos nesta noite meus amados, aprender com o Senhor Jesus a passar por esses momentos de profunda tribulação, que geram em nossos corações, muitas vezes, um profundo sentimento de angústia e de dor, e sair, desses momentos vitoriosos.
EXPLICAÇÃO
É a última semana antes da crucificação de Jesus. Judas, por pura ganância, já havia vendido Jesus (vv. 14-16.). O Senhor tinha antecipado a seus discípulos que eles iriam se escandalizar com Ele (v. 31).
Pedro e os demais, nessa mesma hora, juraram fidelidade até à morte (vv. 33-35). Jesus, então, revela a Pedro que ele o negaria (v. 34).
O Senhor Jesus Cristo acaba de deixar o Cenáculo[1], onde estivera ministrando ao coração de seus discípulos. Desceu o Monte Sião, cruzou o Vale do Cedrom[2], mergulhou nas fraldas do Monte das Oliveiras, no Jardim do Getsêmani.[3]
Diz o evangelista João que o traidor sabia onde Jesus estava, porque Jesus estivera naquele local muitas vezes com seus discípulos.[4] Era um retiro favorito freqüentado por Jesus e seus discípulos[5]. Era um lugar de tranqüilidade e descanso, era um lugar de ensino, era um lugar de oração[6].
Conforme observa o Dr. John Stott, “aqui acontece algo que, apesar da maneira sombria como os evangelistas o descrevem, simplesmente clama por uma explicação, e começa a revelar o enorme preço da cruz de Cristo”.[7]
Mas que lugar é este? Getsêmani significa “lagar de azeite”, “prensa de azeite”. Onde as azeitonas eram esmagadas, eram pisadas, eram prensadas, para se extrair daí, o produto precioso do azeite.[8]
E, não foi noutro lugar, senão neste, onde Jesus entra em um processo de profunda dor e angústia. Onde Ele trava uma luta de sangrento suor, porque estava ali, pesando na balança do Getsêmani, o destino de todos os crêem em seu nome. Isto porque, a base de nosso perdão é a obra expiatória de Cristo, coroada com a sua ressurreição.[9]
O perdão de nossos pecados ampara-se no sacrifício remidor de Cristo. O perdão para as nossas ofensas custou a Cristo a sua oferta voluntária em nosso favor, envolvendo todos os seus sofrimentos e morte na cruz.[10]
Foi no lugar onde as azeitonas eram pisadas, onde as azeitonas eram esmagadas e prensadas, onde o Filho de Deus também foi moído pelas nossas iniqüidades. Onde Filho de Deus foi golpeado pelo nosso pecado. Onde o Filho de Deus entra em um processo de profunda tristeza e angústia, quando o seu suor se transforma em sangue, para sair dali vitorioso.
Foi num jardim que Adão perdeu o paraíso, e haveria de ser num jardim que o Filho de Deus iria reconquistar novamente o paraíso.[11]
E eu queria que nesta noite meus amados, que você olhasse por estas quatro janelas da eternidade: os quatro Evangelhos. Para perceber o sentimento, o drama que o Filho de Deus esta vivendo.
Deixando a maioria dos apóstolos para trás, e instando com eles a que vigiem e orem, Jesus leva a Pedro, Tiago e João – os três íntimos – a certa distância, diz-lhes que se sente “profundamente triste até à morte” (v. 38), e pede-lhes que vigiem com ele. Então se adiantou um pouco, prostra-se com o rosto em terra e ora, dizendo: “Meu Pai: se possível, passa de mim este cálice! Todavia, não seja com eu quero, e, sim, como tu queres” (v. 39). Voltando aos discípulos, encontra-os dormindo e os repreende. Saindo pela segunda vez, ele ora: “Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu beba, faça-se a tua vontade” (v.42). Novamente encontra os discípulos dormindo. De modo que os deixa mais uma vez e ora, pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
Amados de Deus, ao nos aproximarmos dessa cena sagrada, devemos primeiro considerar as palavras vigorosas que Jesus usou para expressar as suas fortes emoções.
O Evangelista Mateus e Marcos descreveram duas expressões em comum. A idéia primaria de angustiar-se (ademoneo na língua grega), detona um sentimento de “aversão repugnante, talvez misturada com tristeza”, enquanto a autodescrição de Jesus como “profundamente triste” (perilypos na lingua grega) que “expressa uma tristeza, ou talvez melhor disséssemos, uma dor mental, ou uma perturbação que o pressiona de todos os lados, da qual, pois, não há escape”.
Essas palavras expressivas indicam que Jesus estava sentindo uma dor emocional aguda, que causava profuso suor, à medida que ele olhava com apreensão e quase terror para o seu suplício vindouro.
EXPOSIÇÃO
As Escrituras asseveram que o traidor buscava um bom momento para entregar Jesus (v. 16), Pedro já tinha sido avisado que negaria Jesus a despeito da sua autoconfiança. Os sacerdotes na calada da noite já tramavam contra a vida de Jesus. Planos terríveis já estavam sendo costurados, mancomunados, para levar Jesus Cristo à morte. E é nesse contexto, que nos precisamos aprender algumas lições.
Portanto, o tema proposto nesta noite é: como enfrentar vitoriosamente as provações.
Eu queria que hoje nós olhássemos algumas lições fundamentais.
A primeira grande lição que encontramos neste texto é que tipo de provas nós enfrentamos nos vales da vida:
A primeira prova que você e eu enfrentamos é a tristeza e a angústia.
Leiam por favor, o verso 37 e 38. Você pode imaginar este quadro? O Deus Todo-Poderoso. O Deus encarnado, o Deus da glória, aquele que era a exata expressão do Ser de Deus. Aquele que refletia na sua face à Glória do Pai; agora esta tomado, encharcado, dominado, completamente tragado e envolvido por uma angústia e por uma tristeza terrível e avassaladora.
Mas, Jesus sentiu tristeza em outras ocasiões da sua vida: a Bíblia diz que Ele um dia estava em Betânia e seu amigo Lázaro estava morto, sepultado. Quando perguntou: Onde o sepultas-te?. Mostraram para ele e diz a Bíblia que Jesus chorou.[12]
Diz as Escrituras que certa feita o Senhor Jesus Cristo chega ao Monte das Oliveiras e olha para a cidade de Jerusalém e se entristece. Quando Ele olha diz: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!”.[13]
Mas, agora Jesus esta triste novamente, em um cenário bem diferente, e eu queria que vocês olhassem no texto quatro aspectos da tristeza de Jesus, que foram se intensificando, que foram se avolumando, que foram se agigantando.
PRIMEIRO ASPECTO ESTA NO VERSÍCULO 37, quando diz o texto que Ele começou a entristecer-se e a angustiar-se. Era um sentimento intimo, subjetivo, que ele não tinha ainda compartilhado com ninguém.
O SEGUNDO ASPECTO DESSA TRISTEZA DE JESUS, ESTA NO VERSÍCULO 38a: “Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte”. Agora ele abre o coração, dilata a sua alma, agora ele desabrocha a sua alma, agora ele não guarda para si, agora ele conta para os outros, agora ele conta a sua dor, ele deixa vazar pelas janelas do seu coração toda a sua dor.
O TERCEIRO ASPECTO DO SOFRIMENTO DE JESUS ESTÁ NO VERSÍCULO 39, quando ele chega diante de seu Pai para orar e diz: “se possível, passe de mim este cálice!”. A dor que sentia era muito forte.
MAS O ÚLTIMO ESTÁGIO DESSA DOR E DA TRISTEZA DE JESUS ESTA REGISTRADO EM LUCAS 22.44, quando a Bíblia diz Jesus nesse momento de profunda tristeza e dor, orando a Deus, o seu suor começa a se transformar em gotas de sangue.
AGORA EU QUERIA QUE VOCÊ PARASSE PARA E SE PERGUNTAR: POR QUE JESUS ESTA TRISTE? Por que Jesus esta angustiado? Será por que Judas o negaria? Será por que Pedro o negaria? Será por que a multidão o condenaria? Será por que a multidão enfurecida diria: Crucifique-o, Crucifique-o!
Será por que Pilatos o entregaria? Será por que os saldados o crucificariam? Será por que os seus discípulos o abandonariam?
EU QUERO DIZER PARA VOCÊ QUE A ANGUSTIA E A TRISTEZA DE JESUS TEM QUATRO ASPECTOS DISTINTOS QUE NÓS QUEREMOS ALENTAR NESTA NOITE:
1º O ASPECTO TEMPORAL:
Jesus estava absolutamente consciente de que sua hora havia chegado. Ele já não podia mais tangenciar esse momento. Era a hora de beber o cálice da morte no lugar dos amados de Deus, dos escolhidos de Deus!
2º O ASPECTO FÍSICO:
Jesus seria entregue nas mãos dos pecadores. E Ele sabia o que iriam fazer com ele. Ele iria ser açoitado, Ele iria ser cuspido, ele iria ser humilhado.
Vocês já pensaram profundamente nesta cena? Aquele que criou todo o universo ser cuspido no rosto. Aquelas mãos que fizeram o universo sendo amaradas e pregadas na cruz. Já imaginou a dolorosa cena... aquele que refletia a imagem da glória de Deus, sendo cuspido, humilhado, zombado e agredido com um caniço em sua cabeça?
Já pensaram no escárnio de colocar uma coroa de espinhos e forçá-la, rasgando-lhe a fronte?
Jesus sabia a tortura, o sofrimento, o suplício, a dor horrenda, e do abandono que ira passar.
3º O ASPECTO MORAL:
A Bíblia diz que ele foi crucificado junto a malfeitores, como um malfeitor. Ele foi crucificado como um malfeito. Como alguém que insurgiu contra César. Como alguém que se insurgiu contra a religião Judaica, sendo um blasfemo.
Imaginem vocês a dor moral de Jesus sendo suspendido na cruz entre dois ladrões, sendo considerado como malfeitor. Ele que é o bem feitor de toda humanidade. A verdadeira expressão divina e humana. Ele que é o nosso salvador.
4º O ASPECTO ESPIRITUAL.
Por que Jesus sofreu? Porque a sua vida imaculada e santa estava sendo borrifada pelo meu pecado e pelo seu pecado. A Bíblia diz que aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós.
A Bíblia diz que aquele que é bendito eternamente foi feito maldição por nós. Essa é a angustia que dominou o coração de nosso Senhor Jesus Cristo.
Ele se refere a este suplício como um “cálice” amargo pelo qual ardentemente ora que, se possível, passe dele, para que não tenha de bebê-lo.
Eu gostaria de perguntar a você meu irmão e minha irmã: como você tem enfrentado as tristezas e as angustias da vida?

A SEGUNDA COISA QUE ENFRENTAMOS NO VALE DAS PROVAS É A SOLIDÃO.
Observem vocês que no versículo 39, que o Senhor Jesus Cristo quando vai orar, ele fica sozinho: “adiantando-se um pouco”. Já não tinha mais ninguém com ele.
E eu queria dizer a você meu amado de Deus, que muitas vezes nos momentos da dor e da angústia você também vai se ver sozinho, não tem jeito, sozinho.
Um dos discípulos desgarra do bando, Judas sai para traí-lo, ele entra com os onze discípulos no Getsêmani, deixa oito para trás, caminha mais um pouco com três, mais quando ele tem que beber o cálice da dor, do sacrifício vicário ele fica sozinho.
Muita coisa Jesus disse para a multidão, mas quando ele falou do traidor, ele só falou para os onze; quando ele falou de sua profunda angustia, ele só falou para três de seus discípulos: Pedro, Tiago e João. Mas quando ele vai se prostrar diante do Pai e diz: Pai, passa de mim esse cálice, ele estava sozinho, sozinho... Eu gostaria de lhes dizer que muitas das vezes, você e eu, iremos passar pelos momentos de dor e de angústia sozinhos.
Quando Paulo se encontrava preso em uma masmorra Romana, ele disse: “todos me abandonarão”. Quando João foi exilado na ilha de Patmos, para trabalhos forçados, sob ordem de Domiciano, ele esta enfrentando seu vale de solidão. Sozinho, sozinho!
Nesta noite, eu preciso perguntar a você: como é que você tem enfrentado os momentos de dor e de angústia em sua vida? Eu preciso dizer para você que você vai ter que passar, em um dado momento em sua vida, pelo momento de dor e de angustia sozinho.
EM TERCEIRO LUGAR, O QUE TAMBÉM PODEMOS ENFRENTAMOS NOS MOMENTOS DA DOR E DA ANGÚSTIA: INGRATIDÃO.
Jesus investiu na vida de Judas. Jesus andou com este homem. Jesus ensinou este homem, Jesus ministrou ao seu coração. Jesus o enviou para pregar a Palavra, para curar os enfermos. Jesus lhe concedeu um cargo de confiança: tesoureiro do grupo apostólico. Jesus lavou os seus pés. Jesus o chamou de amigo. Mas a despeito de investir tanto na vida desse homem, ele vende Jesus por cobiça e trai Jesus com um beijo.
Na caminhada da vida meu irmão e minha irmã você vai enfrentar muitas vezes a ingratidão. Dentro de casa, da sua família, seus pais, seus filhos, seus amigos. Gente que você investiu sua vida e seu tempo. Gente que você dedicou atenção, que você deu amor, gente que vai se voltar contra você, que vai falar mal de você, que vai pisar em você, que vai criticar você.
Infelizmente, muitas vezes, aqueles a quem você abençoou, aqueles a quem você fez de tudo para levantá-los, possa um dia se levantar contra você. Mas mesmo assim, jamais devemos de investir nas pessoas.
Gostaria de dizer-lhes que minha mensagem meus amados, é uma mensagem de esperança. Se parasse por aqui, certamente você sairia daqui, profundamente desencorajado. Portanto, como podemos vencer as provas nos vales da vida? Saber que nós vamos ser provados, não há duvida. Então, como triunfar nas provas?

EM PRIMEIRO LUGAR, JESUS NOS ENSINA QUE VENCEMOS OS MOMENTOS DE PROVA ATRAVÉS DA ORAÇÃO.
Vocês podem ver como Jesus leva a sério a oração no versículo 39, no versículo 42 e no versículo 44.
Mas, o que acontece naturalmente quando as pessoas são provadas? As reações são as mais diferentes: Existem muitas pessoas que começam a murmurar. Existem muitas pessoas que se revolta contra Deus. Outras pessoas se escandalizam com Deus e deixam de freqüentar a igreja, deixam de buscar a face do Senhor. Mas eu vejo que Jesus nos ensina algo absolutamente maravilhoso, é que na hora da dor e da angústia, devemos buscar a Deus em oração. Nós precisamos olhar para Jesus, para aprendermos como ele ora.
EXISTEM AQUI CINCO CARACTERISTICA NA ORAÇÃO DE JESUS QUE TEMOS QUE OBSERVAR.
A PRIMEIRA CARACTERISTICA NA ORAÇÃO DE JESUS É A HUMILDADE.
Diz a Bíblia que ele prostrou-se com o rosto em terra, e eu fico pensando nesta cena: O Filho de Deus de joelhos! Eu fico imaginando, ele que é o Deus dos deuses, Senhor dos senhores, com o rosto em terra prostrado. Como então, eu e você, devemos orar em meio às tempestades que nos assolam, nós que somos barro, nós que somos pó?
A SEGUNDA CARACTERÍSTICA DA ORAÇÃO DE JESUS É A INTENSIDADE.
Diz a Bíblia no evangelho segundo Lucas 22.44, que Jesus ora repetidas vezes com tamanho fervor, com tamanha intensidade, com tamanho investimento de alma, que seu suor se transforma em gotas de sangue. Com que intensidade nós oramos queridos? Com que intensidade nós buscamos a face de Deus?
A TERCEIRA CARACTERÍSTICA DA ORAÇÃO DE JESUS É A PERSEVERANÇA.
Ele orou uma vez. Ele orou uma segunda vez. E ele orou uma terceira vez, e, se você examinar detidamente o texto, vai perceber que existe uma progressão na oração de Jesus: “Meu Pai, passe de mim este cálice”; mais a segunda vez: “Meu Pai, se não é possível(...), faça-se a tua vontade”[14]; e da terceira vez, repete as mesmas palavras: “faça-se a tua vontade”. É alguém que ora, não para que a vontade de Deus mude, mas é alguém que ora para que a vontade de Deus se cumpra em sua vida.
Muitas vezes em nossas lutas, o nosso desejo é que a nossa vontade prevaleça, mas o que é importante querido é se sujeitar à vontade de Deus.
O meu coração se alegra quando leio o texto e vejo Jesus nos ensinando. Isto porque, eu não vejo Jesus decretando nada para Deus! Eu não vejo Jesus dizendo: “eu não aceito sofrimento, eu não aceito este cálice”. Eu só vejo Jesus prostrado, humilhado, com o rosto na terra, submetendo-se ao pai e dizendo: “Meu Pai, (...) seja feita a tua vontade”.
A QUARTA CARACTERÍSTICA DA ORAÇÃO DE JESUS É A VIGILÂNCIA.
Veja no versículo 41 que Jesus exorta os discípulos e diz: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação;...”. Meus irmãos e irmãs se na hora da prova você não orar, você não vigiar, você vai cair!
Eu vejo aqui, algumas coisas sobre a vigilância que me impressionam:
a) Porque aqueles discípulos não vigiaram, eles dormiram na batalha.
b) Porque eles não vigiaram, diz a Bíblia, eles não sabiam o que responder. Quem não ora, não tem palavras para dar. Na hora do conflito, na hora da dor, na hora da angústia, na hora que precisamos de uma palavra de ânimo, não fala nada, não tem nada, não tem palavra de conforto para oferecer. Não conhece nada da intimidade de Deus, não esta bebendo das fontes, não esta experimentando a maravilhosa graça de Deus, não sabe o que falar.
c) Porque eles não vigiaram, eles fugiram abandonando o mestre.
d) Porque eles não vigiaram, Pedro intenta ganhar uma batalha na força, na carne, pegando uma espada e cortando a orelha do servo do sumo sacerdote.
Quando nós não vigiamos, meus irmãos, nós não entendemos a natureza da luta, da batalha que nós estamos travando.
A QUINTA CARACTERÍSTICA DA ORAÇÃO DE JESUS NOS REVELA A SUA SUBMISSÃO A VONTADE DO PAI.
A oração não é para que a vontade do homem seja feita no céu, mais para que a vontade do Pai seja feita na terra. “Faça-se a minha vontade e não a tua”, transformou um paraíso em um deserto, lá no Éden. Mas “faça-se a tua vontade”, transformou o deserto da humanidade no jardim de Redenção.
Como você tem orando ao passar pela dor e pela a angústia?
PORTANTO, EM MEIO AS PROVAÇÕES DA VIDA, DEVEMOS PRIMEIRO ORAR E EM SEGUNDO LUGAR DEVEMOS CONFIAR PLENAMENTE NA VONTADE DE DEUS.
No texto paralelo a este, que se encontra no evangelho segundo Marcos 14.36; quando Jesus se prostrou, se ajoelhou para orar, ele disse: “Aba Pai”, “Aba Pai”. E esta palavra “Aba” contém um oceano de significado: não era uma palavra apropriada pala se dirigir a Deus, mas era uma palavra que uma criança tenra usava para se dirigir ao seu pai. [15]
Quando Jesus disse: “Aba Pai”, ele compreendia plenamente que, o seu Deus era o seu Pai, e que o seu Pai, era o seu Deus. Que a sua vida estava nas mãos, não de um Deus distante, estranho, indiferente, mas nas mãos de seu Pai sempre presente, um Deus pessoal.
Saiba que quando você estiver passando pelas provas, Deus não vai permitir que você verta uma única lágrima inutilmente. Deus não é sádico, Deus não é um carrasco, Deus é amor, Deus é bondade. Deus é misericordioso. Deus ama você muito mais, do que, eu e você podemos amar os nossos filhos. Deus não tem prazer em ver os seus filhos sofrendo. Quando Deus permite você passar pela dor, pela angústia, pelos vales das provas da vida, saiba que ele esta no controle, saiba que ele esta no comando, saiba que você poderá confiar plenamente nele porque ele é o seu Pai!

TERCEIRO LUGAR: O QUE DEVEMOS FAZER QUANDO PASSAMOS PELAS PROVAS?
DEVEMOS BUSCAR SOLIDARIEDADE. Veja o versículo 38 do texto: “Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo”. Jesus mostra aqui a sua perfeita humanidade. Quando ele entra naquele jardim, ele queria duas coisas intensamente: comunhão divina e humana.
Meu amado nos momentos de prova nós precisamos de alguém do nosso lado. Não queira viver isolado. Nesse momento Jesus não quer ouvir nada dos discípulos. A única coisa que ele pede aos seus discípulos é: “ficai aqui e vigiai comigo”.
Quando você esta passando por um momento de dor, muitas vezes o que você precisa saber é que existe alguém junto de você. Quando você esta passando pelo momento de dor, a coisa mais importante é que alguém chegue e fique do seu lado, que alguém fique perto de você, e foi isso que Jesus pediu.

QUARTO LUGAR: QUANDO VOCÊ ATRAVESSAR O VALE DA PROVA, VOCÊ PRECISA ATRAVESSAR ESTE VALE CORAJOSAMENTE.
Precisamos ter coragem para enfrentar a dor e a angústia. Veja o versículo 46: “Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima”.
A reação de Jesus não é escapar, não é de fugir. A reação de Jesus é enfrentar. E sabe por que ele tem a coragem de enfrentar? Porque ele passou o tempo orando e depositou toda a sua confiança na vontade do Pai e não se acovardou como os discípulos. Porque ele estava na presença do Pai. Portanto, a oração não é a preparação para fuga dos problemas, mas é a preparação para vencer os problemas realizando a vontade do Pai.

QUINTO LUGAR, PRECISAMOS PASSAR PELO VALE DAS PROVAS COM A CERTEZA DE QUE NO VALE DAS PROVAS RECEBEMOS A CONSOLAÇÃO DE DEUS.
Lucas 22.43 diz que quando Jesus estava lá suando sangue, um anjo de Deus, desceu e veio consolá-lo.
Eu quero lhes dizer duas coisas: Quando você estiver passando pelo vale das provas, Deus pode fazer duas coisas por você:
Primeiro ele pode lhe dar o livramento. Como deu livramento a Daniel na cova dos leões, como deu livramento aos amigos de Daniel na fornalha ardente, como mandou um anjo para romper as cadeias da prisão máxima de Herodes e tirar Pedro de lá. Mas Deus pode fazer outra coisa nos momentos de dor e de angústia: Ele pode fazer o que fez com Paulo. Quando Paulo estava com um espinho na carne e orou ao Senhor, pedindo que tirasse dele este espinho. Ele ouviu de Deus: Eu não vou tirar o espinho, mas vou lhe mostrar a minha graça em sua vida. Isto porque, o Senhor não remove de nós os problemas, mas nos dá força para vencer os problemas. “A minha graça te basta”.
O Senhor Jesus disse: “Meu pai, se possível, passe de mim este cálice” e o Pai não passou o cálice, mas o Pai mandou um anjo para consolá-lo para beber o cálice e sair dali vitoriosamente.
Eu estou absolutamente seguro de que Deus pode confortar o seu coração nas horas das provas.
Tiago diz no capítulo 1º, versículo 2 de sua carta: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações”. A palavra “várias” ali no grego significa todas as cores, multicoloridas.
Deus permite muitas vezes que nós enfrentemos toda sorte de tribulação. Mas a Bíblia diz, lá em 1 Pedro 4.10: “que o Deus de toda graça nos assiste”. E a palavra toda graça, é a mesma palavra lá Tiago 1.2: “de toda cor”. Significada dizer que em cada momento de tribulação que você passar, Deus tem uma porção da sua graça para lhe conceder, para sair deste momento vitoriosamente.
CONCLUSÃO
QUERO TERMINAR DIZENDO QUE JESUS ENTROU NO GETSÊMANI PROFUNDAMENTE TRISTE, MAS JESUS SAIU DO GETSÊMANI ABSOLUTAMENTE CONSOLADO PARA ENFRENTAR A CRUZ.
Como você tem saído das provas da vida? Derrotado ou vitorioso?
Eu sei que muitos de nós temos enfrentado lutas, provas. Quem sabe você nunca contou para ninguém ainda a dor do seu coração, mais esta doendo, doendo muito... Talvez o seu relacionamento em casa, em seu trabalho, não esteja como um dia você sonhou, nem do jeito que você quer. Quem sabe hoje você não tenha condições de compartilhar nem mesmo com a sua família, a sua angústia, a tristeza do seu coração. Mas quem sabe você já tenha compartilhado sua tristeza com alguém, mas ainda a dor esta lá, sufocando o seu peito, angustiando a sua alma. Mas Deus esta aqui e ele conhece a dor do seu coração. Ele quer curar suas feridas!
Quero lhe dizer que as lutas são inevitáveis, as provas são inevitáveis, e nós iremos passar pelas provas da tristeza, pelas provas da solidão e pelas provas da ingratidão cedo ou mais tarde. Mas Deus pode nos dar força para orar, Deus pode nos fazer confiar em sua vontade, Deus pode nos dar força para buscar solidariedade em outras pessoas, Deus pode nos consolar e nos dar a vitória.
[1] 1)Sala onde se comia a ceia ou o jantar. 2) Ajuntamento de pessoas que têm idéias ou objetivos comuns. In: FERREIRA. Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio - O Dicionário da Língua Portuguesa. 6ª ed. Curitiba: Posigraf, 2004. 896 p.
[2] Cf. João 18.1.
[3] O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1995. P. 665.
[4] Cf. João 18.2.
[5] O Novo Dicionário da Bíblia. Op. Cit. 1995: p.665.
[6] HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento – Mateus, Vol. 2. 1ª ed. Trad. de Valter G. Martins. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. p. 584.
[7] STOTT, John. A Cruz de Cristo. 10ª ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 1991, p. 63.
[8] HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento – Mateus, Vol. 2. Op. Cit. 2001: p. 584; O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1995. P. 665.
[9] Cf. Lc. 24.46, 47; Rm.4.25; 1 Co.15.17; 2 Co. 5.15.
[10] DA COSTA. Hermisten Maia Pereira. O Pai Nosso. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. p. 54.
[11] Cf. O Novo Dicionário da Bíblia. Op. Cit. 1995: p.665.
[12] Cf. João 11:35.
[13] Cf. Mateus 23:37.
[14] Cf. Mateus 26. 42.
[15] POHL, Adolf. Evangelho de Marcos. Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1998. p.407.

Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Como Passar o Dia Com Deus

"Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”.
Sono
Controle o tempo do seu sono apropriadamente, de modo que você não desperdice as preciosas horas da manhã preguiçosamente em sua cama. O tempo do seu sono deve ser determinado pela sua saúde e labor, e não pelo prazer da preguiça.
Primeiros Pensamentos
Dirijam a Deus os seus primeiros pensamentos ao acordar, elevem a Ele o coração com reverência e gratidão pelo descanso desfrutado durante a noite e confiem-se a Ele no dia que inicia.
Familiarizem-se tão consistentemente com isto, até que a consciência de vocês venha a acusá-los quando pensamentos ordinários queiram insurgir em primeiro lugar. Pensem na misericórdia de uma noite de descanso, mal acomodados, padecendo dores e enfermidades, cansados do corpo e da vida.
Pensem em quantas almas foram separadas dos seus corpos nesta noite, aterrorizadas por terem que se apresentar diante de Deus, e em quão rapidamente os dias e noites estão passando! Quão rapidamente a última noite e dia de vocês virão! Considerem no que está faltando no preparo da alma de vocês para tal momento e busquem isso sem demora.
Oração
Acostumem-se a orar sozinhos (ou com o cônjuge) antes da oração coletiva em família. Se possível, que isto seja feito antes de qualquer outra ocupação.
Culto Familiar
Realizem o culto familiar consistentemente e em uma hora em que é mais provável que a família não sofra interrupções.
Propósito Básico
Lembrem-se do propósito básico da vida de vocês, e quando estiverem se preparando para trabalhar ou realizar atividade neste mundo, que a inscrição santos para o Senhor esteja gravada no coração de vocês em tudo o que fizerem.
Não realizem nenhuma atividade que não possam considerar agradável a Deus, e que não possam verdadeiramente afirmar que Deus a aprova. Não façam nada neste mundo com nenhum outro propósito que não agradar a Deus, glorificá-lO e gozá-lO. O que quer que fizerdes, fazei tudo para a glória de Deus (1 Co.10:31).
Diligência na Vocação
Realizem as tarefas concernentes à ocupação de vocês cuidadosa e diligentemente. Assim fazendo:
Vocês demonstrarão que não são preguiçosos e escravos da carne (como aqueles que não podem negar-lhe o comodismo); e estarão mortificando todas as paixões e desejos que são alimentados pelo comodismo e preguiça.
Vocês estarão mantendo fora da mente os pensamentos indignos que fervilham nas mentes de pessoas desocupadas.
Vocês não estarão desperdiçando tempo precioso, algo do que pessoas desocupadas se tornam diariamente culpadas.
Vocês estarão num caminho de obediência a Deus, enquanto que os preguiçosos estão em constante pecado de omissão.
Vocês poderão dispor de mais tempo para empregar em deveres santos se realizarem suas tarefas com diligência. Pessoas desocupadas não têm tempo para os deveres espirituais, porque desperdiçam tempo demorando-se em seus trabalhos.
Vocês poderão esperar bênçãos da parte de Deus e provisões confortáveis para vocês e para as suas famílias.
Isto também pode exercitar o corpo de vocês, o que poderá habilitá-los mais para o serviço da alma.
Tentações e coisas que Corrompem
Estejam perfeitamente familiarizados com as tentações e coisas que tendem a corromper você, e sejam vigilantes o dia todo contra isso. Vocês devem estar alertas especialmente para as tentações que têm se mostrado mais perigosas e cuja presença ou emprego sejam inevitáveis.
Estejam alertas contra os pecados mestres da incredulidade: a hipocrisia, a auto-suficiência, o orgulho, o agradar a carne e o prazer excessivo nas coisas terrenas. Tenham cuidado para não se deixarem atrair para uma mente mundana, e para os cuidados excessivos , ou desejos cobiçosos pela abastança, sob a pretensão de serem diligentes no trabalho de vocês.
Se tiverem que negociar com outras pessoas, tenham cuidado contra o egoísmo ou qualquer coisa que se assemelhe à injustiça ou falta de caridade. Ao lidar com as pessoas, estejam alertas para não usarem de palavras vãs e desocupadas. Sejam vigilantes também com relação às pessoas que tentam vocês à ira (ou a qualquer tipo de pecado). Mantenham a modéstia e a clareza, no falar, que as leis da pureza requerem. Se tiverem que conviver com bajuladores, sejam vigilantes para não se deixarem inchar de orgulho.
Se tiverem de conviver com pessoas que desprezam ou injuriem vocês, resistam contra a impaciência e o orgulho vingativo.
No início estas coisas serão muito difíceis, enquanto o pecado for forte em vocês. Mas tão logo tiverem adquirido profunda compreensão do perigoso veneno de qualquer destes pecados, o coração de vocês irá pronta e facilmente evitá-los.
Meditação
Quando estiverem sozinhos nas ocupações de vocês, aprendam a remir o tempo em meditações práticas e benéficas. Meditem na infinita bondade e perfeições de Deus, em Cristo e na obra da redenção, nos céus e em quão indignos são de irem para lá e em como vocês merecem a miséria eterna do inferno.
Remindo o Tempo
Valorizem o tempo de vocês. Sejam mais cuidadosos em não desperdiçá-lo do que o são em não desperdiçar dinheiro. Não permitam que recreações inúteis, conversas vãs e companhias não proveitosas, ou o sono roubem o preciosos tempo de vocês.
Sejam mais cuidadosos em escapar das pessoas, ações ou situações da vida que tendem a roubar o tempo de vocês do que o seriam em escapar de ladrões ou salteadores.
Certifiquem-se não apenas de não estarem sendo desocupados, mas de estarem usado o tempo de vocês da maneira mais proveitosa possível. Não prefiram um caminho menos proveitosos à um outro de maior proveito.
Comer e Beber
Comam e bebam com moderação e gratidão, para serem saudáveis e não por prazer inútil. Jamais satisfaçam o apetite pela comida ou bebida quando isto tender a fazer mal à saúde de vocês.
Lembrem-se do pecado de Sodoma: "Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade, teve ela e suas filhas..."(Ez.16:49).
O Apóstolo Paulo chorou quando mencionou aqueles: "cujo destino é a destruição, cujo deus é o ventre, e cuja glória está na infâmia; visto que só se preocupam com as coisas terrenas"(Fp.3:19). Estes são chamados de inimigos da cruz de Cristo (v.18). "Porque se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis"(Rm.8:13).
Pecados Prevalecentes (queda em pecado)
Se qualquer tentação prevalecer, e vocês vierem a cair em qualquer pecado adicional às deficiências habituais de vocês, lamentem imediatamente e confessem isto a Deus. Arrependam-se rapidamente, custe o que custar. Certamente custará mais ainda continuar no pecado e sem arrependimento.
Não façam pouco caso das falhas habituais de vocês, mas confessem-nas e esforcem-se diariamente contra elas, tendo cuidado para não agravá-las pela falta de arrependimento e pelo descaso.
Relacionamentos
Atentes diariamente para os deveres especiais relativos aos vários relacionamentos de vocês, seja na condição de maridos, esposas, filhos, patrões, empregados, pastores cidadãos ou autoridades.
Lembrem-se que cada relação tem seus deveres especiais e seus proveitos da realização de algum bem. Deus requer de vocês fidelidade nestes relacionamentos, bem como em quaisquer outros deveres.
Ao Final do Dia
Antes de dormir, é sábio e necessário relembrar as nossas atitudes e misericórdias recebidas durante o dia que termina, de maneira que sejam agradecidos por todas as misericórdias recebidas e humilhados por todos os pecados cometidos.
Isto é necessário a fim de que vocês possam renovar o arrependimento bem como ser mais resolutos na obediência, e a fim de que examinem a si mesmos, para ver se a alma de vocês progrediu ou piorou, para ver se o pecado foi diminuído e a graça aumentada; e para avaliar se vocês estão mais preparados para o sofrimento, para a morte e para e eternidade.
Conclusão
Que estas instruções sejam gravadas na mente de vocês e se tornem prática diária nas suas vidas.
Se vocês observarem sinceramente estas instruções, elas conduzirão vocês à santidade, à frutificação, à tranqüilidade na vida, e ainda acrescentarão a vocês uma morte confortável e em paz.
Autor: Richard Baxter[1].
[1] Nota sobre o Autor: O Rev. Richard Baxter foi um conhecido pastor reformado, o qual viveu na Inglaterra durante o século XVII (1615 - 1691). Era um não-conformista, que tentou reformar a Igreja da Inglaterra, sendo muitas vezes preso por isso. Dentre os seus livros mais importantes estão: O Pastor Reformado (PES), O Descanso Eterno dos Santos, A Vida Divina, Um Tratado sobre a Conversão, Um Apelo ao não Convertido, Agora ou Nunca, Convite para Viver (PES) e muitos outros clássicos evangélicos.Os escritos, a pregação e a vida de Baxter produziram um inegável reavivamento espiritual na cidade de Kdderminster, onde realizou o seu ministério. Quando ele chegou na cidade, eram poucos os crentes e duvidosas as suas conversões. Algum tempo depois , entretanto, o templo de sua igreja teve que ser aumentado - ainda assim não comportava mais as pessoas, que escalavam as janelas para ouvir suas pregações; muitas ruas da cidade tiveram todos os seus moradores convertidos; podia-se ouvir centenas de pessoas cantando hinos de louvor a Deus em plena rua; e as conversões davam provas suficientes de serem sinceras e profundas.

Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

O Segredo de uma Vida de Oração

Os grandes mestres da doutrina cristã têm encontrado sempre na oração a fonte mais elevada de iluminação. Diz-se do Bispo Andrews, para não passar dos limites da Igreja Anglicana, que ele empregava em geral cinco horas diariamente na oração e devoção. Tem-se chegado às maiores resoluções práticas, aos quais têm enriquecido e aformoseado a vida humana nos tempos cristãos, por meio da oração. (Cannon Liddon)
Ainda que muitas orações privadas por sua própria natureza devam ser curtas; ainda que as orações públicas, comumente, devam ser curtas e condensadas; embora haja lugar e valor na oração breve, contudo, em nossa comunhão privada com Deus, o tempo tem um valor essencial. Muito tempo passado com Deus é o segredo da oração eficaz.
A oração, que é sentida como uma força poderosa, é o produto mediato ou imediato de largas horas passadas com Deus. As nossas orações curtas devem seu ponto de apoio e eficiência às orações extensas que as precederam. Uma oração curta não pode ser eficaz se o que a faz não tem tido uma luta contínua com Deus. A vitória da fé de Jacó não poderia ter sido alcançada sem aquela noite de luta. A intimidade com Deus não se faz às pressas. Ele não concede Seus dons aos que vêm e vão fortuitos e apressados. Demorar-se sozinho com Deus é o segredo para alguém conhecê-LO e ter influência junto a Ele. Ele cede à persistência de uma fé que O conhece. Cede as suas mais ricas dádivas àqueles que declaram seu desejo e sua apreciação por elas pela constância e sinceridade de sua importunação.
Cristo, que nisso como em tudo é nosso Modelo, passou noites inteiras em oração. Seu costume era orar muito. Ele tinha um lugar habitual para orar. Largos períodos de tempo em oração formaram sua história e seu caráter. Paulo orava dia e noite. Daniel, no meio de importantes ocupações, orava três vezes ao dia. As orações de Davi de manhã, ao meio-dia e à noite eram indubitavelmente mui prolongadas em muitas ocasiões. Ainda que não saibamos exatamente o tempo que estes santos da Bíblia passaram em oração, temos indicações de que dedicaram boa parte dele, e, em algumas ocasiões, era do seu costume empregar longos períodos da manhã.
Não queremos afirmar que o valor das orações foi medido pela duração, mas nosso propósito é imprimir em nossas mentes a necessidade de permanecer em comunhão com Deus; se em nossa fé não se nota essa característica, ela é vazia e superficial.
Aqueles que manifestaram de maneira mais perfeita possível a Cristo através de seu caráter, e têm afetado mais poderosamente o mundo a Seu favor, são os homens que gastaram muito tempo com Deus, até que isso se tornou uma das características mais salientes de suas vidas. Charles Simeon dedicava a Deus as horas de quatro às oito horas da manhã. John Wesley passava duas horas diárias em oração. Ele começava às quatro horas da manhã. Uma pessoa, que o conhecia bem, dele escreveu: "Ele julgava que a oração era o trabalho mais importante que havia. E o vi sair do lugar de recolhimento com uma serenidade no rosto que brilhava". John Fletcher impregnou as paredes do seu quarto com o hálito de suas orações. Algumas vezes passava a noite inteira em oração; sempre, freqüentemente e com grande fervor. Toda a sua vida foi uma vida de oração. "Não queria levantar-me da cadeira" – dizia – "sem elevar o meu coração a Deus". Sua saudação a um amigo era: "O senhor está orando?" Lutero disse: "Se eu deixar de empregar duas horas em oração todas as manhãs, o diabo terá vitória o dia inteiro. E tenho tanto trabalho que não posso realizá-lo sem gastar três horas diariamente em oração". Seu lema era: "Aquele que orou bem, estudou bem".
O Arcebispo Leighton acostumava estar tanto tempo a sós com Deus que sempre parecia encontrar-se em meditação perpétua. "A oração e adoração constituíam sua ocupação e prazer", disse seu biógrafo. O Bispo Ken passava tanto tempo com Deus a ponto de dizer-se que a sua alma estava enamorada do Senhor. Estava na presença do Altíssimo antes do relógio assinalar três da manhã. O Bispo Asbury disse: "Propus-me a levantar às quatro horas da madrugada tanto quanto possível e gastar duas horas em oração e meditação". Samuel Rutherford, cuja fragrância de piedade ainda se faz sentir, levantava-se às três horas da manhã para encontrar-se com Deus em oração. Joseph Alleine levantava-se às quatro da manhã para a sua tarefa de oração, permanecendo até às oito. Se ouvia que outros negociantes começavam seu trabalho antes dele se levantar, exclamava: "Oh, como isso me envergonha!; não deveria o meu Senhor merecer mais do que os senhores deles?" Aquele que aprendeu a orar tem livre acesso ao Banco do céu, donde saca aquilo que necessita.
Um dos mais santos e mais dotados de dons celestiais dentre os pregadores escoceses disse: "Meu dever é passar as melhores horas em comunhão com Deus. Não posso deixar de lado o meu mais nobre e eficiente emprego. Emprego as primeiras horas da manhã, das seis às oito, porque durante elas não há nenhuma interrupção. A minha melhor hora, a hora logo após o chá, dedico somente a Deus. Não descuido o bom hábito de orar antes de deitar, porém devo prevenir-me contra o sono. Quando desperto durante a noite, devo levantar-me e orar. Após o café da manhã, dedico alguns momentos à intercessão". Este era o plano de oração de Robert Murray McCheyne. A famosa sociedade de oração metodista nos envergonha: "Das cinco às seis da manhã e das cinco às seis da tarde, oração privada".
John Wech, o santo e maravilhoso pregador escocês, considerava perdido o dia se não orava de oito a dez horas. Ele preparava o "robe de chambre" para usá-lo quando acordava à noite e orava. A sua esposa queixava-se dele quando o encontrava chorando prostrado no assoalho. Ele lhe replicava: "Oh, mulher, tenho que responder por três mil almas diante de Deus! E eu não sei quantos dentre eles têm a certeza da salvação".
Autor: E. M. Bounds
Fonte: Monergismo