Existimos para glorificar a Deus e para servir uns aos outros no amor de Cristo. Queremos ser uma bênção na sua vida. Volte outras vezes! “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor”. Provérbios, 16:1.

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

COMO ENFRENTAR AS PROVAS

TEXTO BÍBLICO – Evangelho de nosso Senhor Jesus, segundo a narrativa de Mateus 26.36-46.

EXÓRDIO
Quero lhes dizer que há duas verdades inquestionáveis, confirmadas, absolutas, inevitáveis:
A primeira verdade é que todos nós, sem exceção, passamos, ou estamos passando, ou ainda iremos passar, por algum tipo tribulação que gera em nosso coração um profundo sentimento de dor e de angustia.
A segunda verdade é que nem todos nós, sairemos desses momentos vitoriosos. Nem todos conseguem sair desses momentos vitoriosos.
Mas nós podemos nesta noite meus amados, aprender com o Senhor Jesus a passar por esses momentos de profunda tribulação, que geram em nossos corações, muitas vezes, um profundo sentimento de angústia e de dor, e sair, desses momentos vitoriosos.
EXPLICAÇÃO
É a última semana antes da crucificação de Jesus. Judas, por pura ganância, já havia vendido Jesus (vv. 14-16.). O Senhor tinha antecipado a seus discípulos que eles iriam se escandalizar com Ele (v. 31).
Pedro e os demais, nessa mesma hora, juraram fidelidade até à morte (vv. 33-35). Jesus, então, revela a Pedro que ele o negaria (v. 34).
O Senhor Jesus Cristo acaba de deixar o Cenáculo[1], onde estivera ministrando ao coração de seus discípulos. Desceu o Monte Sião, cruzou o Vale do Cedrom[2], mergulhou nas fraldas do Monte das Oliveiras, no Jardim do Getsêmani.[3]
Diz o evangelista João que o traidor sabia onde Jesus estava, porque Jesus estivera naquele local muitas vezes com seus discípulos.[4] Era um retiro favorito freqüentado por Jesus e seus discípulos[5]. Era um lugar de tranqüilidade e descanso, era um lugar de ensino, era um lugar de oração[6].
Conforme observa o Dr. John Stott, “aqui acontece algo que, apesar da maneira sombria como os evangelistas o descrevem, simplesmente clama por uma explicação, e começa a revelar o enorme preço da cruz de Cristo”.[7]
Mas que lugar é este? Getsêmani significa “lagar de azeite”, “prensa de azeite”. Onde as azeitonas eram esmagadas, eram pisadas, eram prensadas, para se extrair daí, o produto precioso do azeite.[8]
E, não foi noutro lugar, senão neste, onde Jesus entra em um processo de profunda dor e angústia. Onde Ele trava uma luta de sangrento suor, porque estava ali, pesando na balança do Getsêmani, o destino de todos os crêem em seu nome. Isto porque, a base de nosso perdão é a obra expiatória de Cristo, coroada com a sua ressurreição.[9]
O perdão de nossos pecados ampara-se no sacrifício remidor de Cristo. O perdão para as nossas ofensas custou a Cristo a sua oferta voluntária em nosso favor, envolvendo todos os seus sofrimentos e morte na cruz.[10]
Foi no lugar onde as azeitonas eram pisadas, onde as azeitonas eram esmagadas e prensadas, onde o Filho de Deus também foi moído pelas nossas iniqüidades. Onde Filho de Deus foi golpeado pelo nosso pecado. Onde o Filho de Deus entra em um processo de profunda tristeza e angústia, quando o seu suor se transforma em sangue, para sair dali vitorioso.
Foi num jardim que Adão perdeu o paraíso, e haveria de ser num jardim que o Filho de Deus iria reconquistar novamente o paraíso.[11]
E eu queria que nesta noite meus amados, que você olhasse por estas quatro janelas da eternidade: os quatro Evangelhos. Para perceber o sentimento, o drama que o Filho de Deus esta vivendo.
Deixando a maioria dos apóstolos para trás, e instando com eles a que vigiem e orem, Jesus leva a Pedro, Tiago e João – os três íntimos – a certa distância, diz-lhes que se sente “profundamente triste até à morte” (v. 38), e pede-lhes que vigiem com ele. Então se adiantou um pouco, prostra-se com o rosto em terra e ora, dizendo: “Meu Pai: se possível, passa de mim este cálice! Todavia, não seja com eu quero, e, sim, como tu queres” (v. 39). Voltando aos discípulos, encontra-os dormindo e os repreende. Saindo pela segunda vez, ele ora: “Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu beba, faça-se a tua vontade” (v.42). Novamente encontra os discípulos dormindo. De modo que os deixa mais uma vez e ora, pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
Amados de Deus, ao nos aproximarmos dessa cena sagrada, devemos primeiro considerar as palavras vigorosas que Jesus usou para expressar as suas fortes emoções.
O Evangelista Mateus e Marcos descreveram duas expressões em comum. A idéia primaria de angustiar-se (ademoneo na língua grega), detona um sentimento de “aversão repugnante, talvez misturada com tristeza”, enquanto a autodescrição de Jesus como “profundamente triste” (perilypos na lingua grega) que “expressa uma tristeza, ou talvez melhor disséssemos, uma dor mental, ou uma perturbação que o pressiona de todos os lados, da qual, pois, não há escape”.
Essas palavras expressivas indicam que Jesus estava sentindo uma dor emocional aguda, que causava profuso suor, à medida que ele olhava com apreensão e quase terror para o seu suplício vindouro.
EXPOSIÇÃO
As Escrituras asseveram que o traidor buscava um bom momento para entregar Jesus (v. 16), Pedro já tinha sido avisado que negaria Jesus a despeito da sua autoconfiança. Os sacerdotes na calada da noite já tramavam contra a vida de Jesus. Planos terríveis já estavam sendo costurados, mancomunados, para levar Jesus Cristo à morte. E é nesse contexto, que nos precisamos aprender algumas lições.
Portanto, o tema proposto nesta noite é: como enfrentar vitoriosamente as provações.
Eu queria que hoje nós olhássemos algumas lições fundamentais.
A primeira grande lição que encontramos neste texto é que tipo de provas nós enfrentamos nos vales da vida:
A primeira prova que você e eu enfrentamos é a tristeza e a angústia.
Leiam por favor, o verso 37 e 38. Você pode imaginar este quadro? O Deus Todo-Poderoso. O Deus encarnado, o Deus da glória, aquele que era a exata expressão do Ser de Deus. Aquele que refletia na sua face à Glória do Pai; agora esta tomado, encharcado, dominado, completamente tragado e envolvido por uma angústia e por uma tristeza terrível e avassaladora.
Mas, Jesus sentiu tristeza em outras ocasiões da sua vida: a Bíblia diz que Ele um dia estava em Betânia e seu amigo Lázaro estava morto, sepultado. Quando perguntou: Onde o sepultas-te?. Mostraram para ele e diz a Bíblia que Jesus chorou.[12]
Diz as Escrituras que certa feita o Senhor Jesus Cristo chega ao Monte das Oliveiras e olha para a cidade de Jerusalém e se entristece. Quando Ele olha diz: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!”.[13]
Mas, agora Jesus esta triste novamente, em um cenário bem diferente, e eu queria que vocês olhassem no texto quatro aspectos da tristeza de Jesus, que foram se intensificando, que foram se avolumando, que foram se agigantando.
PRIMEIRO ASPECTO ESTA NO VERSÍCULO 37, quando diz o texto que Ele começou a entristecer-se e a angustiar-se. Era um sentimento intimo, subjetivo, que ele não tinha ainda compartilhado com ninguém.
O SEGUNDO ASPECTO DESSA TRISTEZA DE JESUS, ESTA NO VERSÍCULO 38a: “Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte”. Agora ele abre o coração, dilata a sua alma, agora ele desabrocha a sua alma, agora ele não guarda para si, agora ele conta para os outros, agora ele conta a sua dor, ele deixa vazar pelas janelas do seu coração toda a sua dor.
O TERCEIRO ASPECTO DO SOFRIMENTO DE JESUS ESTÁ NO VERSÍCULO 39, quando ele chega diante de seu Pai para orar e diz: “se possível, passe de mim este cálice!”. A dor que sentia era muito forte.
MAS O ÚLTIMO ESTÁGIO DESSA DOR E DA TRISTEZA DE JESUS ESTA REGISTRADO EM LUCAS 22.44, quando a Bíblia diz Jesus nesse momento de profunda tristeza e dor, orando a Deus, o seu suor começa a se transformar em gotas de sangue.
AGORA EU QUERIA QUE VOCÊ PARASSE PARA E SE PERGUNTAR: POR QUE JESUS ESTA TRISTE? Por que Jesus esta angustiado? Será por que Judas o negaria? Será por que Pedro o negaria? Será por que a multidão o condenaria? Será por que a multidão enfurecida diria: Crucifique-o, Crucifique-o!
Será por que Pilatos o entregaria? Será por que os saldados o crucificariam? Será por que os seus discípulos o abandonariam?
EU QUERO DIZER PARA VOCÊ QUE A ANGUSTIA E A TRISTEZA DE JESUS TEM QUATRO ASPECTOS DISTINTOS QUE NÓS QUEREMOS ALENTAR NESTA NOITE:
1º O ASPECTO TEMPORAL:
Jesus estava absolutamente consciente de que sua hora havia chegado. Ele já não podia mais tangenciar esse momento. Era a hora de beber o cálice da morte no lugar dos amados de Deus, dos escolhidos de Deus!
2º O ASPECTO FÍSICO:
Jesus seria entregue nas mãos dos pecadores. E Ele sabia o que iriam fazer com ele. Ele iria ser açoitado, Ele iria ser cuspido, ele iria ser humilhado.
Vocês já pensaram profundamente nesta cena? Aquele que criou todo o universo ser cuspido no rosto. Aquelas mãos que fizeram o universo sendo amaradas e pregadas na cruz. Já imaginou a dolorosa cena... aquele que refletia a imagem da glória de Deus, sendo cuspido, humilhado, zombado e agredido com um caniço em sua cabeça?
Já pensaram no escárnio de colocar uma coroa de espinhos e forçá-la, rasgando-lhe a fronte?
Jesus sabia a tortura, o sofrimento, o suplício, a dor horrenda, e do abandono que ira passar.
3º O ASPECTO MORAL:
A Bíblia diz que ele foi crucificado junto a malfeitores, como um malfeitor. Ele foi crucificado como um malfeito. Como alguém que insurgiu contra César. Como alguém que se insurgiu contra a religião Judaica, sendo um blasfemo.
Imaginem vocês a dor moral de Jesus sendo suspendido na cruz entre dois ladrões, sendo considerado como malfeitor. Ele que é o bem feitor de toda humanidade. A verdadeira expressão divina e humana. Ele que é o nosso salvador.
4º O ASPECTO ESPIRITUAL.
Por que Jesus sofreu? Porque a sua vida imaculada e santa estava sendo borrifada pelo meu pecado e pelo seu pecado. A Bíblia diz que aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós.
A Bíblia diz que aquele que é bendito eternamente foi feito maldição por nós. Essa é a angustia que dominou o coração de nosso Senhor Jesus Cristo.
Ele se refere a este suplício como um “cálice” amargo pelo qual ardentemente ora que, se possível, passe dele, para que não tenha de bebê-lo.
Eu gostaria de perguntar a você meu irmão e minha irmã: como você tem enfrentado as tristezas e as angustias da vida?

A SEGUNDA COISA QUE ENFRENTAMOS NO VALE DAS PROVAS É A SOLIDÃO.
Observem vocês que no versículo 39, que o Senhor Jesus Cristo quando vai orar, ele fica sozinho: “adiantando-se um pouco”. Já não tinha mais ninguém com ele.
E eu queria dizer a você meu amado de Deus, que muitas vezes nos momentos da dor e da angústia você também vai se ver sozinho, não tem jeito, sozinho.
Um dos discípulos desgarra do bando, Judas sai para traí-lo, ele entra com os onze discípulos no Getsêmani, deixa oito para trás, caminha mais um pouco com três, mais quando ele tem que beber o cálice da dor, do sacrifício vicário ele fica sozinho.
Muita coisa Jesus disse para a multidão, mas quando ele falou do traidor, ele só falou para os onze; quando ele falou de sua profunda angustia, ele só falou para três de seus discípulos: Pedro, Tiago e João. Mas quando ele vai se prostrar diante do Pai e diz: Pai, passa de mim esse cálice, ele estava sozinho, sozinho... Eu gostaria de lhes dizer que muitas das vezes, você e eu, iremos passar pelos momentos de dor e de angústia sozinhos.
Quando Paulo se encontrava preso em uma masmorra Romana, ele disse: “todos me abandonarão”. Quando João foi exilado na ilha de Patmos, para trabalhos forçados, sob ordem de Domiciano, ele esta enfrentando seu vale de solidão. Sozinho, sozinho!
Nesta noite, eu preciso perguntar a você: como é que você tem enfrentado os momentos de dor e de angústia em sua vida? Eu preciso dizer para você que você vai ter que passar, em um dado momento em sua vida, pelo momento de dor e de angustia sozinho.
EM TERCEIRO LUGAR, O QUE TAMBÉM PODEMOS ENFRENTAMOS NOS MOMENTOS DA DOR E DA ANGÚSTIA: INGRATIDÃO.
Jesus investiu na vida de Judas. Jesus andou com este homem. Jesus ensinou este homem, Jesus ministrou ao seu coração. Jesus o enviou para pregar a Palavra, para curar os enfermos. Jesus lhe concedeu um cargo de confiança: tesoureiro do grupo apostólico. Jesus lavou os seus pés. Jesus o chamou de amigo. Mas a despeito de investir tanto na vida desse homem, ele vende Jesus por cobiça e trai Jesus com um beijo.
Na caminhada da vida meu irmão e minha irmã você vai enfrentar muitas vezes a ingratidão. Dentro de casa, da sua família, seus pais, seus filhos, seus amigos. Gente que você investiu sua vida e seu tempo. Gente que você dedicou atenção, que você deu amor, gente que vai se voltar contra você, que vai falar mal de você, que vai pisar em você, que vai criticar você.
Infelizmente, muitas vezes, aqueles a quem você abençoou, aqueles a quem você fez de tudo para levantá-los, possa um dia se levantar contra você. Mas mesmo assim, jamais devemos de investir nas pessoas.
Gostaria de dizer-lhes que minha mensagem meus amados, é uma mensagem de esperança. Se parasse por aqui, certamente você sairia daqui, profundamente desencorajado. Portanto, como podemos vencer as provas nos vales da vida? Saber que nós vamos ser provados, não há duvida. Então, como triunfar nas provas?

EM PRIMEIRO LUGAR, JESUS NOS ENSINA QUE VENCEMOS OS MOMENTOS DE PROVA ATRAVÉS DA ORAÇÃO.
Vocês podem ver como Jesus leva a sério a oração no versículo 39, no versículo 42 e no versículo 44.
Mas, o que acontece naturalmente quando as pessoas são provadas? As reações são as mais diferentes: Existem muitas pessoas que começam a murmurar. Existem muitas pessoas que se revolta contra Deus. Outras pessoas se escandalizam com Deus e deixam de freqüentar a igreja, deixam de buscar a face do Senhor. Mas eu vejo que Jesus nos ensina algo absolutamente maravilhoso, é que na hora da dor e da angústia, devemos buscar a Deus em oração. Nós precisamos olhar para Jesus, para aprendermos como ele ora.
EXISTEM AQUI CINCO CARACTERISTICA NA ORAÇÃO DE JESUS QUE TEMOS QUE OBSERVAR.
A PRIMEIRA CARACTERISTICA NA ORAÇÃO DE JESUS É A HUMILDADE.
Diz a Bíblia que ele prostrou-se com o rosto em terra, e eu fico pensando nesta cena: O Filho de Deus de joelhos! Eu fico imaginando, ele que é o Deus dos deuses, Senhor dos senhores, com o rosto em terra prostrado. Como então, eu e você, devemos orar em meio às tempestades que nos assolam, nós que somos barro, nós que somos pó?
A SEGUNDA CARACTERÍSTICA DA ORAÇÃO DE JESUS É A INTENSIDADE.
Diz a Bíblia no evangelho segundo Lucas 22.44, que Jesus ora repetidas vezes com tamanho fervor, com tamanha intensidade, com tamanho investimento de alma, que seu suor se transforma em gotas de sangue. Com que intensidade nós oramos queridos? Com que intensidade nós buscamos a face de Deus?
A TERCEIRA CARACTERÍSTICA DA ORAÇÃO DE JESUS É A PERSEVERANÇA.
Ele orou uma vez. Ele orou uma segunda vez. E ele orou uma terceira vez, e, se você examinar detidamente o texto, vai perceber que existe uma progressão na oração de Jesus: “Meu Pai, passe de mim este cálice”; mais a segunda vez: “Meu Pai, se não é possível(...), faça-se a tua vontade”[14]; e da terceira vez, repete as mesmas palavras: “faça-se a tua vontade”. É alguém que ora, não para que a vontade de Deus mude, mas é alguém que ora para que a vontade de Deus se cumpra em sua vida.
Muitas vezes em nossas lutas, o nosso desejo é que a nossa vontade prevaleça, mas o que é importante querido é se sujeitar à vontade de Deus.
O meu coração se alegra quando leio o texto e vejo Jesus nos ensinando. Isto porque, eu não vejo Jesus decretando nada para Deus! Eu não vejo Jesus dizendo: “eu não aceito sofrimento, eu não aceito este cálice”. Eu só vejo Jesus prostrado, humilhado, com o rosto na terra, submetendo-se ao pai e dizendo: “Meu Pai, (...) seja feita a tua vontade”.
A QUARTA CARACTERÍSTICA DA ORAÇÃO DE JESUS É A VIGILÂNCIA.
Veja no versículo 41 que Jesus exorta os discípulos e diz: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação;...”. Meus irmãos e irmãs se na hora da prova você não orar, você não vigiar, você vai cair!
Eu vejo aqui, algumas coisas sobre a vigilância que me impressionam:
a) Porque aqueles discípulos não vigiaram, eles dormiram na batalha.
b) Porque eles não vigiaram, diz a Bíblia, eles não sabiam o que responder. Quem não ora, não tem palavras para dar. Na hora do conflito, na hora da dor, na hora da angústia, na hora que precisamos de uma palavra de ânimo, não fala nada, não tem nada, não tem palavra de conforto para oferecer. Não conhece nada da intimidade de Deus, não esta bebendo das fontes, não esta experimentando a maravilhosa graça de Deus, não sabe o que falar.
c) Porque eles não vigiaram, eles fugiram abandonando o mestre.
d) Porque eles não vigiaram, Pedro intenta ganhar uma batalha na força, na carne, pegando uma espada e cortando a orelha do servo do sumo sacerdote.
Quando nós não vigiamos, meus irmãos, nós não entendemos a natureza da luta, da batalha que nós estamos travando.
A QUINTA CARACTERÍSTICA DA ORAÇÃO DE JESUS NOS REVELA A SUA SUBMISSÃO A VONTADE DO PAI.
A oração não é para que a vontade do homem seja feita no céu, mais para que a vontade do Pai seja feita na terra. “Faça-se a minha vontade e não a tua”, transformou um paraíso em um deserto, lá no Éden. Mas “faça-se a tua vontade”, transformou o deserto da humanidade no jardim de Redenção.
Como você tem orando ao passar pela dor e pela a angústia?
PORTANTO, EM MEIO AS PROVAÇÕES DA VIDA, DEVEMOS PRIMEIRO ORAR E EM SEGUNDO LUGAR DEVEMOS CONFIAR PLENAMENTE NA VONTADE DE DEUS.
No texto paralelo a este, que se encontra no evangelho segundo Marcos 14.36; quando Jesus se prostrou, se ajoelhou para orar, ele disse: “Aba Pai”, “Aba Pai”. E esta palavra “Aba” contém um oceano de significado: não era uma palavra apropriada pala se dirigir a Deus, mas era uma palavra que uma criança tenra usava para se dirigir ao seu pai. [15]
Quando Jesus disse: “Aba Pai”, ele compreendia plenamente que, o seu Deus era o seu Pai, e que o seu Pai, era o seu Deus. Que a sua vida estava nas mãos, não de um Deus distante, estranho, indiferente, mas nas mãos de seu Pai sempre presente, um Deus pessoal.
Saiba que quando você estiver passando pelas provas, Deus não vai permitir que você verta uma única lágrima inutilmente. Deus não é sádico, Deus não é um carrasco, Deus é amor, Deus é bondade. Deus é misericordioso. Deus ama você muito mais, do que, eu e você podemos amar os nossos filhos. Deus não tem prazer em ver os seus filhos sofrendo. Quando Deus permite você passar pela dor, pela angústia, pelos vales das provas da vida, saiba que ele esta no controle, saiba que ele esta no comando, saiba que você poderá confiar plenamente nele porque ele é o seu Pai!

TERCEIRO LUGAR: O QUE DEVEMOS FAZER QUANDO PASSAMOS PELAS PROVAS?
DEVEMOS BUSCAR SOLIDARIEDADE. Veja o versículo 38 do texto: “Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo”. Jesus mostra aqui a sua perfeita humanidade. Quando ele entra naquele jardim, ele queria duas coisas intensamente: comunhão divina e humana.
Meu amado nos momentos de prova nós precisamos de alguém do nosso lado. Não queira viver isolado. Nesse momento Jesus não quer ouvir nada dos discípulos. A única coisa que ele pede aos seus discípulos é: “ficai aqui e vigiai comigo”.
Quando você esta passando por um momento de dor, muitas vezes o que você precisa saber é que existe alguém junto de você. Quando você esta passando pelo momento de dor, a coisa mais importante é que alguém chegue e fique do seu lado, que alguém fique perto de você, e foi isso que Jesus pediu.

QUARTO LUGAR: QUANDO VOCÊ ATRAVESSAR O VALE DA PROVA, VOCÊ PRECISA ATRAVESSAR ESTE VALE CORAJOSAMENTE.
Precisamos ter coragem para enfrentar a dor e a angústia. Veja o versículo 46: “Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima”.
A reação de Jesus não é escapar, não é de fugir. A reação de Jesus é enfrentar. E sabe por que ele tem a coragem de enfrentar? Porque ele passou o tempo orando e depositou toda a sua confiança na vontade do Pai e não se acovardou como os discípulos. Porque ele estava na presença do Pai. Portanto, a oração não é a preparação para fuga dos problemas, mas é a preparação para vencer os problemas realizando a vontade do Pai.

QUINTO LUGAR, PRECISAMOS PASSAR PELO VALE DAS PROVAS COM A CERTEZA DE QUE NO VALE DAS PROVAS RECEBEMOS A CONSOLAÇÃO DE DEUS.
Lucas 22.43 diz que quando Jesus estava lá suando sangue, um anjo de Deus, desceu e veio consolá-lo.
Eu quero lhes dizer duas coisas: Quando você estiver passando pelo vale das provas, Deus pode fazer duas coisas por você:
Primeiro ele pode lhe dar o livramento. Como deu livramento a Daniel na cova dos leões, como deu livramento aos amigos de Daniel na fornalha ardente, como mandou um anjo para romper as cadeias da prisão máxima de Herodes e tirar Pedro de lá. Mas Deus pode fazer outra coisa nos momentos de dor e de angústia: Ele pode fazer o que fez com Paulo. Quando Paulo estava com um espinho na carne e orou ao Senhor, pedindo que tirasse dele este espinho. Ele ouviu de Deus: Eu não vou tirar o espinho, mas vou lhe mostrar a minha graça em sua vida. Isto porque, o Senhor não remove de nós os problemas, mas nos dá força para vencer os problemas. “A minha graça te basta”.
O Senhor Jesus disse: “Meu pai, se possível, passe de mim este cálice” e o Pai não passou o cálice, mas o Pai mandou um anjo para consolá-lo para beber o cálice e sair dali vitoriosamente.
Eu estou absolutamente seguro de que Deus pode confortar o seu coração nas horas das provas.
Tiago diz no capítulo 1º, versículo 2 de sua carta: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações”. A palavra “várias” ali no grego significa todas as cores, multicoloridas.
Deus permite muitas vezes que nós enfrentemos toda sorte de tribulação. Mas a Bíblia diz, lá em 1 Pedro 4.10: “que o Deus de toda graça nos assiste”. E a palavra toda graça, é a mesma palavra lá Tiago 1.2: “de toda cor”. Significada dizer que em cada momento de tribulação que você passar, Deus tem uma porção da sua graça para lhe conceder, para sair deste momento vitoriosamente.
CONCLUSÃO
QUERO TERMINAR DIZENDO QUE JESUS ENTROU NO GETSÊMANI PROFUNDAMENTE TRISTE, MAS JESUS SAIU DO GETSÊMANI ABSOLUTAMENTE CONSOLADO PARA ENFRENTAR A CRUZ.
Como você tem saído das provas da vida? Derrotado ou vitorioso?
Eu sei que muitos de nós temos enfrentado lutas, provas. Quem sabe você nunca contou para ninguém ainda a dor do seu coração, mais esta doendo, doendo muito... Talvez o seu relacionamento em casa, em seu trabalho, não esteja como um dia você sonhou, nem do jeito que você quer. Quem sabe hoje você não tenha condições de compartilhar nem mesmo com a sua família, a sua angústia, a tristeza do seu coração. Mas quem sabe você já tenha compartilhado sua tristeza com alguém, mas ainda a dor esta lá, sufocando o seu peito, angustiando a sua alma. Mas Deus esta aqui e ele conhece a dor do seu coração. Ele quer curar suas feridas!
Quero lhe dizer que as lutas são inevitáveis, as provas são inevitáveis, e nós iremos passar pelas provas da tristeza, pelas provas da solidão e pelas provas da ingratidão cedo ou mais tarde. Mas Deus pode nos dar força para orar, Deus pode nos fazer confiar em sua vontade, Deus pode nos dar força para buscar solidariedade em outras pessoas, Deus pode nos consolar e nos dar a vitória.
[1] 1)Sala onde se comia a ceia ou o jantar. 2) Ajuntamento de pessoas que têm idéias ou objetivos comuns. In: FERREIRA. Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio - O Dicionário da Língua Portuguesa. 6ª ed. Curitiba: Posigraf, 2004. 896 p.
[2] Cf. João 18.1.
[3] O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1995. P. 665.
[4] Cf. João 18.2.
[5] O Novo Dicionário da Bíblia. Op. Cit. 1995: p.665.
[6] HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento – Mateus, Vol. 2. 1ª ed. Trad. de Valter G. Martins. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. p. 584.
[7] STOTT, John. A Cruz de Cristo. 10ª ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 1991, p. 63.
[8] HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento – Mateus, Vol. 2. Op. Cit. 2001: p. 584; O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1995. P. 665.
[9] Cf. Lc. 24.46, 47; Rm.4.25; 1 Co.15.17; 2 Co. 5.15.
[10] DA COSTA. Hermisten Maia Pereira. O Pai Nosso. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. p. 54.
[11] Cf. O Novo Dicionário da Bíblia. Op. Cit. 1995: p.665.
[12] Cf. João 11:35.
[13] Cf. Mateus 23:37.
[14] Cf. Mateus 26. 42.
[15] POHL, Adolf. Evangelho de Marcos. Comentário Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1998. p.407.

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

O Fruto do Espírito

"Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”(Gálatas 5:22,23).
v.22. Mas o fruto do Espírito. Justamente como havia condenado toda a natureza humana como nada produzindo senão frutos nocivos e indignos, agora nos diz que todas as virtudes, todas as boas e bem ordenadas afeições procedem do Espírito, ou seja, da graça de Deus e da natureza renovada que recebemos de Cristo. Como se houvera dito: “Nada, senão o mal, procede do homem; nada de bom pode proceder senão do Espírito Santo”. Pois ainda que às vezes surjam nos homens não regenerados notáveis exemplos de nobreza, fidelidade, temperança e generosidade, o fato é que não passam de marcas ilusórias. Curio e Fabricio foram famosos por sua coragem; Cato, por sua temperança; Scipio, por sua bondade e generosidade; Fabio, por sua paciência. Mas tudo isso era apenas aos olhos dos homens e como membros da sociedade. Aos olhos de Deus, nada é puro senão o que procede da fonte de toda a pureza.
Não tomo alegria, aqui, no sentido de Romanos 14:17, mas como aquele bom humor [hilaritas] para com nossos companheiros, o qual é o posto de melancolia. é usada para verdade, e é contrastada com astúcia, engano e falsidade. Paz contrasto com rixas e contendas. Longanimidade é a suavidade da mente, a qual nos dispõe a levar tudo com otimismo, não permitindo a suscetibilidade. O restante é óbvio, pois a condição da mente se abre a parte de seu fruto.
Pode-se perguntar, porém, que juízo formaremos dos perversos e idólatras que, não obstante, exigem extraordinária semelhança de virtudes. Pois pelo prisma de suas obras parecem espirituais. Eis minha resposta: nem todas as obras da carne despontam numa pessoa carnal; mas sua carnalidade é exibida por um ou outro vício; assim como uma pessoa não pode ser tida como espiritual pelo prisma de uma única virtude. Às vezes se fará óbvio à luz de outros vícios que a carne reina em tal pessoa; e isso é facilmente visto em todos aqueles a quem mencionamos.
V. 23. Contra tais coisas não há lei. Há quem entenda isso como significando simplesmente que a lei não é dirigida contra as boas obras, visto que das boas maneiras têm emanado boas leis. Mas a intenção de Paulo é mais profunda e menos óbvia, ou seja: onde o Espírito reina, a lei não mais exerce qualquer domínio. Ao modelar nossos corações segundo sua própria justiça, o Senhor nos liberta da severidade da lei, de modo que não trata conosco segundo o pacto da lei, nem obriga nossas consciências sob sua condenação. Não obstante, a lei continua a exercer seu ofício de ensinar e exortar. Mas o Espírito de adoção nos livra da sujeição a ela devida. Paulo, pois, ridiculariza os falsos apóstolos, os quais forçavam a sujeição à lei, mas que ninguém estava mais ansioso do que eles para livrar-se do jugo dela. Paulo nos diz que a única forma pela qual isso se faz possível é quando o Espírito de Deus assume o domínio. À luz desse fato, segue-se que eles não se preocupavam com a justiça espiritual.
Fonte: Extraído do comentário de Gálatas de João Calvino, publicado pela Editora Paracletos, páginas 170 e 171.

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

“Hillsong United” é mais buscado que “Holy Bible” no Google

Google Trends é um serviço que exibe várias estátisticas, de acordo com palavras chaves que foram pesquisadas no buscador.
É um serviço bem legal para se comparar besteiras, ver quem é melhor que quem, demonstrar superioridade das bandas que você curte em relação às preferidas dos amigos.
Claro que sua imaginação é livre para inventar combinações mirabolantes,e brincar por horas no GTrends.
Um belo dia (ontem), digitei a combinação “Hillsong United, Holy Bible", e olha o susto que o gráfico me deu (a linha vermelha é a Bíblia, e a azul é o United):

Sim pessoal! Em 2006, lançamento do United We Stand, o Hillsong United deu uma rasteira na Bíblia Sagrada e passou a ser mais buscado no Google. O Brasil está em 5º lugar, na lista de países que mais buscam pela banda worship mais relevante nas igrejas do mundo, só que leva um banho da Guatemala, que diga-se de passagem é um país minúsculo na América Central.
Se você avaliar o gráfico, vai perceber que no segundo semestre de 2007, mês da turnê na América Latina, as buscas alcançaram o seu auge, e depois tiveram uma queda, que quase raspa na Bíblia de novo.
Pois é… Esta (me refiro aos jovens e adolescentes tietes) é a geração que vai estar a frente da igreja amanhã. E qual a profundidade bíblica que veremos nos nossos futuros pastores? Com certeza teremos ótimos animadores de palco, belíssimos espetáculos multimídia, e popstars cristãos que todos seguirão.
E antes que a legião dos defensores do Hillsong United apareça por aqui, já vou avisando: gosto da banda (grupo/ministério), acho muito legal as letras focalizadas em salvação, sem muito dinheiro e regalias de Deus, [bem ao contrário das composições do Brasil], mas… tudo tem limite.
Fonte: iPODJesus

Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

Edir Macêdo: aborto, homossexualismo e a cosmovisão da IURD

Agora está claro! Aquilo que era apenas uma inferência e suspeita ficou confirmado com o lançamento da biografia do Edir Macedo (um recorde no mercado editorial brasileiro: 700 mil cópias, na primeira edição) e com a entrevista que ele deu à Folha de São Paulo, em 13 de outubro de 2007. Na entrevista Macedo confirma sua defesa do aborto e apresenta sua visão sobre a questão da homossexualidade. Este exemplar da Folha dedica três páginas do primeiro caderno (A11 a A13) às notícias sobre a igreja de Edir Macedo, e de como ela está envolvida em uma campanha para mudar a sua imagem. Podemos deduzir, também pela entrevista, alguns pontos chaves que compõem a cosmovisão e teologia da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), contidas nessas palavras de seu pontífice máximo.
Cito três perguntas e respostas extraídas da entrevista:
FOLHA: Em sua biografia, o Sr. defende o aborto. Atualmente, a Record e a Record News exibem campanha pelo aborto, por que?
Macedo: Sou favorável à descriminalização do aborto por muitas razões. Porém aí vão algumas das mais importantes:
1. Muitas mulheres têm perdido a vida em fundo de quintal. Se o aborto fosse legalizado, elas não correriam risco de morte.
2. O que é menos doloroso? Aborto ou ter crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades, sem infância, sem saúde, sem escola, sem alimentação e sem qualquer perspectiva de um futuro melhor? E o que dizer das comissionadas pelos traficantes de drogas?
3. A quem interessa uma multidão de crianças sem pais, sem amor e sem ninguém?
4. O que, os que são contra o aborto, têm feito pelas crianças abandonadas?
5. Por que a resistência ao planejamento familiar?Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada.
FOLHA: “Deus deu a vida e só Ele pode tirá-la”, segundo a Bíblia (sic). Não é contraditório um líder cristão defender o aborto?
Macedo: A criança não vem pela vontade de Deus. A criança gerada de um estupro seria de Deus? Não do meu Deus! Ela simplesmente é gerada pela relação sexual e nada mais além disso. Deus deu a vida ao primeiro homem e à primeira mulher. Os demais foram gerados por estes. O que a Bíblia ensina é que se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz (Eclesiastes 6.3). Não acredito que algo informe, seja uma vida.
FOLHA: Qual seria sua reação se descobrisse que tem um filho homossexual?
Macedo: Decepcionado. Mas não o rejeitaria de forma alguma. Tentaria ajudá-lo da melhor forma possível. Porque, se Deus respeita a livre opção de vida da criatura humana, por que não o faria eu?
Este post não tem o objetivo de ser uma exposição completa da posição cristã sobre (e contra) o aborto, mas comento, com base nas declarações de Macedo, esses três temas – aborto, homossexualismo e a cosmovisão da IURD:
1. Aborto: Não há base bíblica para as convicções éticas. Elas são formadas a partir de slogans e bandeiras sociológicas do liberalismo. Macedo cita a Bíblia apenas uma vez, fora de contexto, para provar um ponto que o texto não procura substanciar. A lógica de Macedo é falsa e traça conexões e ilações que não se sustentam:
a. Macedo afirma que mulheres morrem ao tentar o aborto (essa premissa, é constantemente repetida, mesmo sem comprovação), portanto é legítimo assassinar crianças com tecnologia (conclusão moralmente errada), para que as mães não morram.
b. Ele apresenta as crianças abandonadas como sendo fruto da ausência de aborto, em vez de uma conseqüência da irresponsabilidade dos pais (a sociedade que quer se preservar agirá nesse último ponto, educando todos os cidadãos a serem bons pais; criando oportunidades de sustento e emprego; etc.).
c. Macedo infere que o repúdio ao abandono das crianças, leva necessariamente à aceitação do aborto (conclusão falsa, de que o aborto é a única opção a este mal social, e de que ele é moralmente neutro, e não condenável).
d. Ele acusa que quem é contra o aborto não faz nada pelas crianças abandonadas (afirmação totalmente falsa: historicamente, os grandes orfanatos; os projetos de adoção; a assistência às mães jovens e solteiras foram implantados por segmentos da sociedade que são contra o aborto e não pelos que são a favor). Para Macedo, eliminar as crianças abandonadas, matando-as antes que nasçam seria a solução. Entretanto, essa é a forma mais cruel e imoral de resolver essa situação de abandono.
e. Macedo diz que aborto é igual a planejamento familiar (essa é uma forma asséptica e indolor, de se referir ao aborto, favorita dos seus proponentes, porque anestesia a consciência e torna a questão acadêmica e palatável, em vez de ética. Os dois termos não são equivalentes).
2. Homossexualismo: Edir Macedo, procurando dar a resposta que agrada à mídia, demonstra, na realidade, a própria rejeição que é enraizada em preconceito, porque não tem nem oferece base metafísica maior (bíblica) para sua posição. Quer ser politicamente correto e diz que aceita o homossexualismo, no entanto, ficaria “decepcionado”, se fosse um filho seu; e procuraria “ajudá-lo” (ajudar em que sentido? A ser aceito pelos demais? A se recuperar? Por que, se ele seria “aceitável”?). O cristão que firma suas convicções a partir das Escrituras, da Palavra de Deus, rejeita a prática porque a identifica como pecado, como disfunção de comportamento – e é claro nisso. Não a chama de “livre opção de vida” aceita por Deus, como faz Macedo; mas reconhece como uma “opção de vida” condenada por Deus – como várias outras o são.
3. Cosmovisão da IURD:
a. Visão deista/semi-intervencionista – Ao dizer que as crianças “não vêm pela vontade de Deus” e que “a criança gerada de um estupro” estaria fora do controle de Deus (“Não do meu Deus”, diz ele); e ao segregar a ação de Deus na doação da vida apenas “ao primeiro homem e à primeira mulher” sendo as demais crianças meramente “geradas por estes”; Macedo está na realidade adotando uma cosmovisão deista, ou seja: Deus iniciou a criação e deixou as situações e fenômenos naturais se desenrolando. Isso coloca Deus distante e não envolvido (supostamente resolvendo o dilema da responsabilidade) com as questões humanas. Mas como explicar a ênfase nos milagres e nas intervenções divinas, da IURD? É que esse “deismo seletivo”, não construído a partir dos dados da Bíblia, é limitado às situações convenientes. Ocasionalmente, Deus intervém, aqui e ali, consertando as coisas que o homem faz de errado, curando, restaurando relacionamentos. Para motivar Deus a fazer isso, é necessário, entretanto, intenso clamor e bastante fé, senão as coisas continuam como estão.
b. Dualismo espiritual: Macedo diz, na mesma entrevista: “não tenho ódio de ninguém, senão do Diabo e de seus espíritos”. Entretanto, o reconhecimento de um Reino das Trevas, pela IURD, não se prende ao que as Escrituras revelam sobre o assunto. Há a absorção da visão popular de duas esferas que se degladiam, uma vez vencendo uma, outra vez a outra. Para se contrapor às hostes do mal, a IURD utiliza-se do procedimento de exorcismo e de outras atividades que emulam as encontradas exatamente pelos que são classificados como dominados pelos demônios.
c. Práticas religiosas místicas: Na IURD, outros meios de conhecimento religioso são tão importantes quanto as Escrituras, daí as práticas estranhas à Palavra de Deus se misturarem com tanta intensidade na forma cúltica dos seus templos (peças de roupa, lugares santos, essencialidade da cura física, prosperidade como sinal inequívoco de aceitação divina, etc.). O resultado não é a religião verdadeira, mas um misticismo pagão com roupagem cristã.
d. Pragmatismo: Como demonstrado nas palavras do Macedo, na entrevista, as convicções éticas, na IURD, são essencialmente pragmáticas. Avança-se aquilo que é considerado a tarefa messiânica do segmento com quaisquer parâmetros, afirmações, conexões ou práticas, desde que funcionem. Princípios não regem a prática, mas os objetivos, sim. Não há âncora metafísica maior (revelação) para estabelecimento da verdade. Daí a conformação com o que é politicamente correto, com o que agrada às massas.
Estamos testemunhando, portanto, não uma convergência da IURD com o evangelicalismo, mas um afastamento gradativo ainda maior, exatamente porque o que está ditando a agenda daquela Igreja, não é o estudo e exposição da Bíblia (que seria o possível ponto de convergência), mas a sede e busca do poder; o envolvimento fisiológico (e não transformador) com a política e políticos; e uma ação de relações públicas, que a leva a abraçar, sem qualquer pejo, posições claramente contraditadas pela Palavra de Deus.
AUTOR: Solano Portela
FONTE: O Tempora

Sábado, 13 de Outubro de 2007

Lendo a Bíblia Hoje

Meu alvo nessa breve postagem é mostrar como alguns aspectos da pós-modernidade se constituem em sérios desafios à leitura bíblica feita pelos evangélicos, e em especial, pelos reformados. Mencionarei apenas três aspectos. Há muito mais coisas na pós-modernidade que influenciam nossa leitura da realidade e dos textos, mas isso fica para outra vez.
Os reformados -- uso o termo para me referir aos cristãos evangélicos que aderem aos credos históricos da Igreja e às confissões reformadas -- têm tradicionalmente interpretado as Escrituras partindo de alguns pressupostos. O mais importante deles é que as Escrituras são divinas, em sua origem, infalíveis e inerrantes no que ensinam, seguras e certas no seu ensino. Para os cristãos reformados, a Bíblia é a revelação da verdade. Em decorrência, só existe uma religião certa, a que se encontra revelada na Bíblia. Logo, no raciocínio reformado, tudo o que é necessário à vida eterna e à vida cristã aqui nesse mundo estão claramente reveladas na Escritura. E tais coisas são claramente expostas nela.
Existem alguns aspectos da pós-modernidade que desafiam esse pressuposto central da interpretação reformada das Escrituras.
1) O conceito de tolerância. Eu me refiro à idéia contemporânea de total complacência para com o pensamento de outros quanto à política, sexo, religião, raça, gênero, valores morais e atitudes pessoais, ao ponto das pessoas nunca externarem seu próprio ponto de vista de forma a contradizer o ponto de vista dos outros. Esse tipo de tolerância não deve ser confundida com a tolerância cristã, pois ela resulta da falta de convicções em questões filosóficas, morais e religiosas: "A tolerância é a virtude do homem sem convicções" (G. K. Chesterton). A tolerância da pós-modernidade é fortalecida pela queda na confiança na verdade, atitude típica de nossa época.
É aqui que entra o conceito de "politicamente correto". Significa aquilo que é aceitável como correto na sociedade onde se vive. É o que se faz em um grupo sem que ninguém seja ofendido. Por exemplo, não é "politicamente correto" tomar atitudes ou afirmar coisas que venham a desagradar pessoas, como emitir valores morais sobre o comportamento sexual das pessoas. É "politicamente correto" ouvir o que os outros dizem sem qualquer crítica, reparo ou discordância explícita. Aqui devemos também notar em especial a preocupação em não ofender as minorias ou grupos oprimidos: afro-descendentes, mulheres, pobres, pessoas do 3º mundo. É claro que o Cristianismo nos ensina a não ofender absolutamente ninguém, mas não por que são minorias ou maioria, e sim por que são feitas à imagem de Deus.
É preciso observar que existe uma tolerância exigida do cristão. Devemos tolerar as pessoas. Todavia, não temos de tolerar suas crenças, quando estas contrariam a verdade de Deus revelada nas Escrituras. Temos o dever de ouvir o que elas tem a dizer, e aprender delas naquilo em que se conformam com a verdade bíblica. Porém, tolerância ao erro, quando a verdade bíblica está em jogo, é omissão.
A tolerância tão característica da pós-modernidade pode afetar a interpretação da Bíblia levando as pessoas a interpretá-la a partir do conceito de "politicamente correto." Evita-se qualquer leitura, interpretação ou posicionamento que venha a ser ofensivo à sociedade ou comunidade a que se ministra. Textos bíblicos que denunciam claramente determinados comportamentos morais são domesticados com uma leitura crítica que os reduz a expressões retrógradas típicas dos moralistas machistas do século I. Textos que anunciam a Cristo como o único caminho para Deus são interpretados de tal forma a não excluir a salvação em outras religiões.
2) O inclusivismo. Num certo sentido, é o resultado do multiculturalismo do mundo pós-moderno. Não há mais no mundo ocidental um país com uma cultura única e uma raça homogênea. Países ocidentais são multiculturais e têm uma mescla de diversas raças. Para que não se seja ofensivo, e para que se possa conviver harmoniosamente, é necessário ser inclusivista. Isso significa dar vez e voz a todas as culturas e raças representadas.
Na sociedade pós-moderna, o conceito ser estende para incluir os grupos moralmente orientados. Significa especialmente repartir o poder com as minorias anteriormente oprimidas pelas estruturas de poder, como afro-descendentes, "gays", mulheres, pobres e raças minoritárias.
Existem coisas boas do inclusivismo multiculturalista, como por exemplo, estudos nos meios acadêmicos sobre a cultura de raças minoritárias e oprimidas no ocidente, como africanos, hispânicos e orientais. Também a criação de bolsas de estudos e empregos para membros destas minorias raciais, bem como de grupos oprimidos, como as mulheres. Ainda digno de nota é a luta contra discriminação baseada tão somente em raça, religião, postura política e gênero.
Mas existem coisas que nos preocupam no inclusivismo. A maior de todas é que o inclusivismo exclui qualquer juízo de valor em termos morais, religiosos, e de justiça. Tem que ser assim para que o relacionamento multicultural e multi-moral funcione.
O inclusivismo acaba também influenciando na interpretação bíblica. Sua mensagem é abordada do ponto de vista do programa das minorias. Por exemplo, a chamada "teologia negra," a teologia da libertação, teologias feministas. Outra coisa é a tendência cada vez mais forte de se publicarem traduções da Bíblia sem linguagem genérica ofensiva, isto é, tirando todas as referências a Deus como sendo homem, etc.
3) O relativismo. No que tange ao campo dos valores e dos conceitos morais e religiosos, é a idéia de que todos os valores morais e as crenças religiosas são igualmente válidos e que não se pode julgar entre eles. A verdade depende das lentes que alguém usa para ler a vida. O importante é que as pessoas tenham crenças, e não provar que uma delas é certa e a outra errada. Não há meio de se arbitrar sobre a verdade porque não há parâmetros absolutos. Desta forma, alguém pode crer em coisas mutuamente excludentes sem qualquer inconsistência.
Dessa perspectiva, ninguém pode tentar mudar a opinião de outrem em questões morais e religiosas. Existem alguns perigos no relativismo quanto à leitura da Bíblia. Primeiro, o relativismo acaba por minar a credibilidade em qualquer forma de interpretação que se proponha como a correta. Segundo, acaba por individualizar a verdade. Cada pessoa tem sua verdade e ninguém pode alegar que a sua é superior à dos outros. Portanto, ninguém pode ter a pretensão de converter outros à sua fé.
Muitos cristãos são tentados a suavizar a sua interpretação da mensagem do Evangelho, excluindo os elementos que não são "politicamente corretos" como: pecado, culpa, condenação, ira de Deus, arrependimento, mudança de vida. Acaba sendo uma tentação de escapar pela forma mais fácil do dilema entre falar todo o conselho de Deus ou ofender as pessoas.
Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à leitura e interpretação das Escrituras. Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.
Autor: Rev. Augustus Nicodemus
Fonte:O Tempora