29 de out de 2009

Livro sobre Exu causa guerra santa em escola municipal

Professora umbandista diz que foi proibida de dar aulas em unidade de Macaé, dirigida por diretora evangélica
POR RICARDO ALBUQUERQUE, RIO DE JANEIRO - O Dia OnLine

As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica.
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A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que “a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição”.

A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina.

Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “Há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”.

Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista.

ATÉ CINCO ANOS DE PRISÃO
“Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac.

Alunos do 7º ano leram a obra: referências ao folclore

Em 180 páginas, o livro ‘Lendas de Exu’, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu.

Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro.

Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer.

O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “As ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”.

Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “Objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”.

VIVA VOZ
Até mães de alunos me proibiram de falar sobre a África

“Acusam-me de dar aula de religião. Não é verdade. No livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, há histórias interessantes, são ótimas para trabalhar com os alunos. Li os contos, como se fosse uma contadora de histórias, dramatizando cada uma delas. Praticamos Gramática, e os alunos ilustraram as histórias de acordo com a imaginação deles. Não dá para entender por que fui tão humilhada. Até mães de alunos, evangélicas, me proibiram de falar sobre a África”.

MARIA CRISTINA MARQUES, professora, 48 anos

Caros irmãos,

Paz do SENHOR!!!!

Achei o artigo abaixo muito interessante para refletirmos no nosso papel de "sal da terra e luz do mundo" e sobre a Reforma Protestante, que comemoraremos no próximo dia 31.

Numa sociedade pluralista todas as vozes têm de ser ouvidas, mas creio que os lugares dessas vozes, seus tons e assuntos ainda não foram bem definidos na nossa Sociedade.

A Escola, como lugar público, não deve ser usado como púlpito de qualquer religião. O discurso tem que ser o mais neutro possível. Assim, meu pensamento é que se ensinar sobre a cultura afro, por exemplo deve-se dizer: "os africanos criam assim" ou a "religiões africanas criam assim". Nota-se que o tempo está no passado. Isto causa um distanciamento que não envolve discutir crenças atuais (quem quiser saber que procure um centro de religião afro ou leia livros sobre o assunto). Da mesma forma quando se ensinar sobre a Reforma Protestante do Século XVI. Quem quiser saber melhor ou envolver-se pessoalmente no assunto tem muita oportunidade de frenquentar uma igreja histórica, tirar dúvidas com pastores, ler livros específicos de História Geral ou de História da Igreja. No entanto, sei que o mundo não é tão ideal e justo assim, daí eu também se tivesse filhos ficaria preocupado com o que o meu filho estivesse aprendendo ou melhor, a que tipo de discurso ele estaria exposto. Daí, penso que os pais cristãos têm que estar muito atentos a isto.

Uma outra questão emerge: nos tempos da Reforma, Calvino, pelo menos, preocupou-se grandemente com a educação religiosa, secular e profissional. Penso que perdemos este valor reformado e não temos escolas de qualidade suficientes para atender os filhos dos crentes, proporcionando-lhes um ambiente saudável ao desenvolvimento de suas capacidades dadas por Deus. .Isto é muito sério porque estamos gerando pessoas que estão sendo educadas em valores de corrupção, desonestidade e liberalidade de corpo e vícios (e depois nos surpreedemos quando os jovens da Igreja caem nesses pecados.... ) Devemos nos lembrar que a exposição é muito grande e passa-se mais tempo fora de casa e da Igreja que o contrário.... Toda esta exposição externa é uma competição desleal contra um sermão de 30 minutos no Domingo. Infelizmente poucas são as famílias que fazem culto doméstico....

Chamo a atenção também no artigo que tenta jogar um irmão evangélico contra outro:

"Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista". O texto fragmenta Batistas e Presbiterianos. Estejamos atentos contra isto!!!!!

A saída agora é uma comissão externa, até de pastores examinar o livro para ver a qualidade do discurso, do grau de intencionalidade do texto e talvez até cassar o livro no MEC, tudo na forma da Lei. Meu medo é que a diretora agora possa se encontrar sozinha e servir de carne fresca .... de qualquer forma, ela está exposta a passar 05 anos na pisão....

No amor de Cristo,

Sérgio Nascimento.
Enviado por e-mail.

Um comentário:

Leandro disse...

Algumas leis são dita "igualitárias", mas são totalmente discriminatórias. Se fosse um livro sobre os Salmos para estudar poesia, garanto que iriam julgar ilegal pois estariam usando da religião!

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