23 de mar. de 2008

Uma Visão Cristã da Sexualidade

Sexualidade é “o conjunto dos fenômenos da vida sexual” (Dicionário Aurélio Século XXI). Biblicamente, a sexualidade é uma das mais poderosas dádivas divinas e situa-se no centro da personalidade humana.
A partir da adolescência a sexualidade deve ser compreendida sabiamente. Conceitos e hábitos estabelecidos nessa fase acompanham o indivíduo no restante de sua vida.

Sob a ótica da sociedade atual, a sexualidade é destacada, embalada e vendida, como bem de consumo. Ela é tanto a motivação quanto o produto final de muitas iniciativas de marketing.
É importante refletir sobre a sexualidade do ponto de vista de Deus, a partir de sua revelação contida nas Escrituras.
I. Aspectos positivos da sexualidadeA sexualidade é mostrada na Bíblia positivamente. Sexo, de acordo com a Escritura, é dom divino vivenciado de acordo com os padrões do Criador.
1. A sexualidade é uma dádiva de Deus26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança (…). 27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.26-28, ênfase acrescentada).
Os gêneros sexuais refletem a imagem e semelhança do Criador. Daí a dignidade tanto do homem quanto da mulher. A prática de relações sexuais está implícita na referência do v. 28 à procriação.
18 Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. (…) 20 Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. 21 Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 22 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. 23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. 24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. 25 Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam (Gn 2.18, 20-25, ênfases acrescentadas).
A sexualidade implica em união mútua e profunda intimidade.
2. Na sexualidade encontramos um fundamento para a individualidadeComo indivíduos, identificamo-nos, interagimos com o mundo, cumprimos nossa vocação e até nos relacionamos com Deus como homens ou mulheres.
O que somos, somos sexualmente. Expressões tais como “eu sou João” ou “eu sou Maria” expressam que no centro de nossa identidade encontra-se nosso gênero sexual. Em decorrência do ato criador divino, somos feitos “macho” ou “fêmea” (Gn 1.27).
Interagimos sexualmenteA sexualidade define, ainda, como nos relacionamos com o mundo. O modo com um homem lida com outras pessoas ou com alguns detalhes da vida é singular e difere da forma como uma mulher relaciona-se com as mesmas pessoas e fatos. Em decorrência do ato criador divino, relacionamo-nos com o universo como “macho” ou “fêmea” (Gn 1.27).
Há complementaridade entre masculino e femininoConforme lemos em Gênesis 2.18 e 20-25, a sexualidade pressupõe complementaridade. Adão precisava da companhia de Eva. Ele estava incompleto sem ela. Eva foi necessária para possibilitar o estabelecimento de relações afetuosas, conjugais e sociais.
A masculinidade e feminilidade são importantes para o cumprimento dos mandados divinosOutro detalhe a considerar é que a sexualidade permite que deixemos marcas singulares na história. Abraão, Isaque, Jacó, Sarah, Débora e Maria são exemplos de pessoas que abençoaram o mundo como homens e mulheres de Deus.
A sexualidade é parte imprescindível de nossa comunhão com Deus. O Criador é Senhor sobre tudo, inclusive nossas inclinações, desejos e corpo. Deus mesmo é fonte de verdadeiro prazer. Ele é quem legitima o prazer sexual e concede poder para a pureza e santidade. Como afirma Piper ([s.d.]), “a sexualidade é designada por Deus como uma maneira de se conhecer a Deus em Cristo mais completamente” e, por sua vez, “conhecer a Deus em Cristo mais completamente é designado como uma maneira de se guardar e guiar nossa sexualidade”.
3. Na sexualidade existem diversos potenciais construtivos
A fé bíblica percebe os potenciais da sexualidade no enriquecimento das relações entre as pessoas, no estímulo às realizações, na procriação e, finalmente, na intimidade e prazer conjugal.
Interação enriquecedora com indivíduos do sexo oposto
A sexualidade possibilita a amizade enriquecedora. Homens e mulheres são aperfeiçoados no convívio fraterno e santo.
Realizações multiformesEm determinados contextos organizacionais, equipes de trabalho formadas por homens e mulheres produzem resultados melhores qualitativa e quantitativamente. Cada gênero sexual contribui com idéias e modos singulares e relevantes de realizar as coisas.
ProcriaçãoA sexualidade encontra seu espaço de maior intimidade na cópula ou relação sexual, no casamento. O matrimônio gera a família, estrutura da bênção de Deus, amor e aliança, sob a qual os filhos são gerados, nutridos e desenvolvidos (Gn 1.28; Sl 126.2 e 128; Ef 6.1-4).
Intimidade e prazer conjugalA prática da relação sexual pelo casal, sob o matrimônio, não é apenas reprodutiva, mas voltada para o desfrute do prazer e comunhão com o cônjuge (Pv 5.5-19, Ec 9.9 e Ct 7.6-13).

Prazer que aponta para a bondade de Deus e obediênciaO prazer proporcionado pela relação sexual, do ponto de vista bíblico, é qualificado. Não se trata de prazer pelo prazer, mas de prazer centrado em Deus. O prazer sexual bíblico é desfrutado considerando-se a bondade divina e obedecendo-se aos padrões bíblicos de orientação e conduta sexual. Nesse termos, há quatro proibições explícitas na Escritura.
*Adultério (Êx 20.14; Lv 18.20).
*Incesto, relações sexuais com parentes próximos (pai e mãe, filhos ou filhas, irmãos, avós ou netos, tios e sobrinhos, genros e noras, uma mulher e sua filha ou duas esposas ao mesmo tempo — Lv 18.6-18).
*Homossexualismo, relações sexuais com pessoa do mesmo sexo (Lv 18.22; Rm 1.26-27).
*Bestialidade, relações sexuais com animais (Lv 18.23).
Prazer paciente
A sexualidade bíblica é norteada pelo amor, que é paciente (Ct 3.5; 1Co 13.4). O amor verdadeiro sabe esperar, não força ações precipitadas.
Prazer casto e temperanteO prazer sexual bíblico é poder sob controle do Espírito Santo (Gl 5.22-24).
Prazer que aponta para a aliança entre Cristo e a Igreja
A união profunda entre um homem e uma mulher refere-se ao mistério da união entre Cristo e a Igreja (Ef 5.31-32). O prazer sexual é um significativo mas ainda pálido vislumbre das delícias desfrutadas na comunhão com o Senhor Jesus Cristo (Sl 16.11; Pv 8.31).
Percebe-se, destarte, que a sexualidade não é diminuída pela Bíblia. Pelo contrário, por representar o maravilhoso vínculo entre o Senhor e seu povo, é destaca e devidamente valorizada. A sexualidade é diminuída e assumida como caricatura pela sociedade pagã, que reduz o sexo a mera busca insaciável de prazer impessoal e momentâneo.
A necessidade humana do homem e da mulher um pelo outro surge de uma relação original fundamentada no ato criador de Deus (Gn 2.18ss). A família é a ordem natural e básica da criação e um microcosmo da humanidade (Ef 3.14). Os pais descobrem juntos uma vida nova na união: os filhos são gerados divinamente como dádivas sagradas. (…) Por causa da integridade da personalidade humana, o que se pensa e se faz sexualmente tem conseqüências no ser total do indivíduo, nesta vida e na próxima. Para os cristãos, o sexo envolve terna gratidão, devoção pessoal e responsabilidade gratificante sob os cuidados de Deus (HENRY, 1975, p. 1169-72 apud COURT, 1992, p. 13).
II. Deturpações da sexualidade na lista das obras da carneAs deturpações da sexualidade são mostradas na lista das “obras da carne”, registrada em Gl 5.19-21: prostituição, impureza e lascívia.
1. A prostituiçãoA prostituição é a primeira obra da carne (Gl 5.19). Prostituição é “comércio habitual ou profissional do amor sexual” (Dicionário Aurélio Século XXI). No Novo Testamento a palavra porneia, indica, simultaneamente, tanto a indecência de modo geral como o uso do corpo como objeto de prazer momentâneo. Barclay (1985, p. 25) considera que o termo liga-se a pernumi, vender, e propõe o seguinte significado:
Essencialmente, porneia é o amor que é comprado e vendido – o que não é amor de modo algum. O erro grande e básico nisto é que a pessoa com quem semelhante amor é satisfeito não é realmente considerada uma pessoa, mas um objeto. Ele ou ela é mero instrumento através de quem as exigências da concupiscência e da paixão são satisfeitas. O amor verdadeiro é a união total entre duas personalidades de modo que se tornam uma só pessoa, e que cada uma acha sua própria realização na união com a outra. Porneia descreve o relacionamento em que uma das partes pode ser comprada e descartada como um objeto, e onde não há união de personalidade nem respeito por estas (op. cit., p. 25-26).
A NVI – Bíblia Nova Versão Internacional (2003, p. 2013) e a NTLH – Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2005, p. 1195) traduzem a palavra por “imoralidade sexual”. Hendriksen (1999, p. 315) conclui que o termo tem a ver com toda espécie de relação [sexual] ilícita e clandestina” e relaciona-se, no paganismo, à prática da idolatria. Stott (2003, p. 134) afirma que porneia indica, primariamente, a fornicação que é a prática de relações sexuais “entre pessoas que não são casadas”, mas pode referir-se também “a qualquer tipo de comportamento sexual ilegal”. A prostituição aponta, literalmente, para o “pecado dentro de uma área específica da vida, a área das relações sexuais” (BARCLAY, Ibid., p. 31).
2. A impurezaA palavra usada pelo apóstolo Paulo para referir-se à segunda deturpação sexual é akatharsia, traduzida por “impureza”. Akatharsia significa, literalmente, sujeira ou imundícia. Para Stott (op. cit., loc. cit.) a palavra indica “comportamento anormal”. Barckay (Ibid., p. 30-31) sugere que o termo indica algo que “dá nojo à pessoa que a presencia” e possui três idéias principais:
*Indica “um tipo de mente que é poluída em si mesmo e que polui tudo quando passa por ela” (Ibid., p. 31).
*Refere-se a uma impureza repulsiva que desperta ojeriza nas pessoas decentes que olham para ela.
*Akatharsia tem um sentido ritual. Era usada para aquilo que impossibilitava a pessoa de entrar na presença de Deus. Assim sendo, seu uso descreve “a impureza ritual e cerimonial” que exclui “o homem da presença de Deus” e contrapõe-se à pureza de coração exigida na verdadeira adoração (Mt 5.8 – Ibid., loc. cit.).
A impureza aponta, literalmente, para “uma contaminação geral da pessoa inteira, maculando todas as esferas da vida” (Ibid., loc. cit.).
3. A lascíviaA terceira deturpação sexual da lista de obras da carne é a lascívia (“libertinagem” na NVI e “ações indecentes” na NTLH). A palavra original é aselgeia, que indica uma postura completamente desavergonhada. A pessoa aselgēs não se importa em chocar a decência pública. Platão (República 424 E.) usa o termo para referir-se à insolência da iniqüidade. Barclay (Ibid., p. 33) chama a atenção para o fato que a aselgeia “é o ato de uma personalidade que já perdeu aquilo que deveria ser sua melhor defesa – seu respeito-próprio, e seu senso de vergonha”.
A lascívia aponta, literalmente, para “um amor ao pecado tão desenfreado e tão audaz que o homem deixou de importar-se com aquilo que Deus ou os homens pensam a respeito de suas ações” (Ibid., loc. cit.).
4. Os padrões da sociedade
As regras da Escritura são desconsideradas pela sociedade em geral. A idéia de pureza sexual é ridícula para o mundo sem Deus. As coisas não eram diferentes na cultura greco-romana dos tempos apostólicos. Barclay (Ibid., p. 26-27) descreve o panorama moral daquela época citando os próprios autores pagãos. Dizia-se que, na primeira metade do século II, “a vergonha parecia ter sumido da terra” (p. 26). Sêneca (Da Ira 2.8) disse com exatidão: “A inocência não é rara: é não-existente” (p. 27). Com relação à homossexualidade, tanto Platão como Sócrates desfrutavam do “amor de meninos” (p. 28). Dos quinze primeiros imperadores romanos, somente Cláudio era heterossexual. Mesmo assim, Messalina, sua esposa, saía “às escondidas do palácio real à noite, a fim de servir num prostíbulo público” (p. 27, 28s).
No século XXI é desafiador quanto aos padrões bíblicos de pureza moral. As pressões de grupo e, principalmente, a força da mídia, empurram o indivíduo para a aceitação da promiscuidade ou formas antibíblicas de vivenciar a sexualidade.
5. Potenciais destrutivos
Uso indevido da dádiva da criaçãoOs pecados sexuais constituem-se em uso indevido da dádiva da criação. Ao invés de glorificar a Deus, o ser humano desconsidera os padrões divinos e explora a sua sexualidade para o desfrute de seus próprios desejos desenfreados.
Idolatria
Ao descartar as informações bíblicas sobre a sexualidade, o ser humano estabelece seu ego como centro da existência. Deus é colocado de lado e os apetites da carne são entronizados. Isso é pecado de idolatria (Êx 20.1-4 e 14).
Desvalorização do corpoA quebra dos padrões bíblicos de sexualidade mancha o corpo. Este, por sua vez, deve ser consagrado como templo do Espírito Santo (1Co 6.9-11, 15-20).
Pulverização da personalidadeO resultado final da quebra dos padrões relacionados à sexualidade é a deformação integral do caráter. O início da lista de obras da carne (Gl 5.19) sugere uma escada de degraus descendentes: da prostituição (uso do corpo como objeto) para a impureza (mancha moral e espiritual), e desta última, para a lascívia (conduta completamente desavergonhada). O texto de Romanos 1.18-32 descreve uma deterioração crescente.
6. Situações de risco
Namoro precoce

Não há uma idade-padrão para o início do namoro, mas devem ser considerados os seguintes fatos.
*O namoro estabelece uma relação afetuosa entre um rapaz e uma moça, com vistas ao conhecimento mútuo.
*Tal relação tende ao aumento da intimidade entre o casal, que produz, por conseguinte, pressão sexual (Ct 1.1-4 e 2.3-6).
*Tal pressão é um dos indicadores de que o casal deve pensar em casamento (1Co 7.8-9). O rapaz e a moça devem aguardar até o casamento para satisfazerem completamente o desejo sexual (Ct 2.7, 3.11, 5.1).
*Assim sendo, o namoro não deve ser assumido antes que o casal tenha convicção de que deseja iniciar uma relação séria, que talvez desdobre-se em união matrimonial. É claro que o namoro não significa que ambos irão, de fato, casar-se, mas deve pressupor tal disposição. Nesses termos o namoro é, ainda que em primeiro estágio, uma aliança.
*Isso exige do casal maturidade e disposição para consolidar uma estrutura de estudos e recursos, necessária para a possível manutenção de um lar.
*Apesar de algumas felizes exceções, o namoro iniciado muito cedo possui riscos tais como desvio de atenção dos estudos, violação dos padrões bíblicos de pureza sexual e gravidez indesejada.
“Ficar”Para quem não deseja assumir as responsabilidades de um namoro, a sociedade sugere uma nova opção de relacionamento: o “ficar”. “Ficar” é desfrutar fisicamente de uma pessoa, sem compromisso, apenas por poucos minutos ou horas. Em seguida, rapaz e moça estão disponíveis para “ficarem” com outras pessoas.
O problema dessa prática é que, mesmo que não haja relação sexual, trata-se de porneia ou prostituição, uma vez que o outro ser humano está sendo “usado” sem nenhum vínculo de aliança.
PornografiaA junção de todas as deturpações citadas em Gálatas 5.19 dá origem à pornografia, que multiplica-se sobremaneira na esteira da liberdade de expressão. Lopes ([s.d.]) descreve a pornografia nos seguintes termos:
De forma geral, podemos dizer que pornografia é a representação da nudez e do comportamento sexual humano com o objetivo de produzir excitamento sexual. Esta representação é feita através de imagens animadas (filmes, vídeos, computador), fotografias, desenhos, textos escritos ou falados. A pornografia explora o sexo, tratando os seres humanos como coisas e, em particular, as mulheres como objetos sexuais.
A palavra pornografia vem do grego e significa literalmente “escrever sobre prostituta”. Com o tempo, passou a referir-se a qualquer material, escrito ou gráfico, de conteúdo sexual. O termo é usado hoje de forma negativa. A indústria pornográfica que produz filmes, revistas, vídeos e sites na Internet, prefere usar outros termos, como “material adulto”. Esta manobra é um eufemismo que visa retirar deste sórdido comércio a pecha negativa que ele possui.
A pornografia desorienta seus usuários a partir de informações falsas. Além de homens e mulheres serem mostrados de forma irreal, como máquinas sexualmente incansáveis; homens são dominadores incapazes de demonstrar ternura e as mulheres são meros objetos passivos (SUPLICY, 1991, p. 373).

A palavra pornografia tem a ver com porneia, e movimenta uma indústria milionária que tem ligações com o crime organizado (LOPES, loc. cit.). Court (op. cit., p. 48-55) demonstra que em países que abriram espaço para a pornografia, houve aumento significativo na quantidade de crimes sexuais relatados, tais como estupros. Em Los Angeles, capital mundial da pornografia, tais crimes cresceram 56% entre 1958 e 1973. Na Inglaterra e País de Gales, o aumento foi de 62%, entre 1950 e 1970. No Japão, onde foi adotada uma política mais restritiva quanto à pornografia, os crimes sexuais diminuíram 49%.
Pornografia e Jogos sexuaisA pornografia propõe determinados padrões de prática sexual, tais como o sexo oral, anal, grupal ou troca de parceiros, que terminam sendo assumidos como normais. O contato com a pornografia estimula a prática de jogos sexuais que contrariam os princípios bíblicos de sexualidade.
Pornografia e sexo precoce (antes do casamento)Um dos resultados das estimulações da pornografia é a prática do sexo antes do casamento. É claro que alguns casais relacionam-se sexualmente antes do casamento mesmo sem consumirem conteúdos pornográficos. A pornografia, no entanto, induz fantasias que pressionam o usuário à masturbação e à prática de relações sexuais.
Além disso, não há diferença, na essência, entre carícias pré-maritais e sexo pré-marital. Uma vez que carícias são consideradas pelo sexólogos como estímulos preparatórios, uma carícia só difere de uma penetração em termos de conseqüências físicas tais como o rompimento do hímen ou a possibilidade de uma gravidez (WHITE, 1994, p. 62-64). Mesmo que a prática de carícias pré-maritais não seja “descoberta” pelos homens, constitui-se em ofensa a Deus pela quebra dos padrões divinos de pureza sexual.
Pornografia e vício sexualTodas essas deturpações são desvios da vontade divina relacionada ao sexo e têm o poder de causar dependência, ou seja, viciar (HENDRIKSEN, 1999. p. 314).
O vício sexual é um problema reconhecido por estudiosos das ciências humanas e sociais. Atualmente existem grupos e instituições especializados em tratar de pessoas que não conseguem ter vidas normais por causa da escravidão à pornografia.
Conseqüências naturaisAs deturpações da sexualidade produzem prejuízos financeiros, enfraquecimento da relação conjugal, destruição de lares e outras frustrações.
Conseqüências espirituais
As deturpações da sexualidade produzem prejuízos espirituais: quebra da comunhão com Deus (distanciamento da leitura bíblica devocional e oração), afastamento do serviço cristão e pulverização do testemunho evangelístico. A Bíblia ensina claramente que pessoas presas a pecados sexuais não foram regeneradas e, portanto, não entrarão no reino dos céus (1Co 6.9-11; Ef 5.3-14; Ap 22.15).
ConclusãoA sexualidade, como vimos, é uma das mais poderosas dádivas divinas e influencia nossa personalidade. Somos e fazemos e fazemos qualquer coisa como homem ou mulher, ou seja, como seres sexuais.
Biblicamente, a sexualidade foi estabelecida para a liberdade. Liberdade, porém, não significa a autonomia de orientar-me e assumir relações sexuais fora dos padrões de Deus. Liberdade também não é sinônimo de promiscuidade. White (op. cit., p. 66) coloca a questão adequadamente, ao afirmar que “nosso corpo foi feito para a liberdade. Só encontramos liberdade sexual (ou em qualquer outra área) quando cumprimos o propósito da nossa criação”.
Liberdade é graça concedida pelo conhecimento de Jesus Cristo e pela direção poderosa do Espírito Santo (Jo 8.34-36; Rm 8.1-2; Gl 5.16-25). “Aqueles que são dirigidos pelo Espírito respiram o ar alegre e revigorante da liberdade moral e espiritual” (HENDRIKSEN, 1999, p. 313).
A sexualidade foi concedida para encontramo-nos significativamente uns com os outros e, nesses encontros, refletirmos nossa união com Deus. Ela não foi concedida para o prazer egoísta. Na verdade, quanto mais buscamos o prazer fora de Deus, mais sentimo-nos frustrados.
Encontrar o prazer é tão difícil quanto perseguir o fim de um arco-íris. Se você procura o prazer, nunca vai encontrá-lo. Toda vez que você tenta agarrá-lo pelo rabo, ele escapa.(…)
O prazer, na verdade, é um subproduto, um efeito colateral. Ele nos toma de surpresa, quando estamos à procura de alguma outra coisa. (…)
Busque a Deus e você encontrará, entre outras coisas, um prazer penetrante. Busque o prazer e, no fim das contas, você vai encontrar tédio, desencanto e escravidão (WHITE, op. cit., p. 68).
Referências BibliográficasBARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. 1ed. Reimp. 1988. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1985. 118 p.
BARKER, Kenneth. et al. (Orgs.). Bíblia de Estudo NVI. Trad. Gordon Chown, Notas. São Paulo: Vida, 2003. 2424 p.
BÍBLIA DE ESTUDO NTLH. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005. 1504 p.
COURT, John H. Pornografia: Uma resposta cristã. Trad. José Clóvis Chagas. São Paulo: Vida Nova, 1992. 100 p.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Gálatas. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Cultura Cristã, 1999. 367 p.
HENRY, Carl F. H. Christian personal and social ethics in relation to racism, poverty, war and other problems. In: DOUGLAS, J. D. (Ed.). Let the earth hear his voice. Mineapolis: World Wide Publications, 1975. p. 1169-72.
HOLANDA, Aurélio Buarque. Dicionário Aurélio Século XXI. Versão digital.
LOPES, Augustus Nicodemus. Pornografia: Realidade, perigos e libertação. Cuiabá: Web Site Monergismo, [s.d.]. Disponível em Acessado em: 28 Jun 2006.
PIPER, John. Sexo e a supremacia de Cristo. Cuiabá: Web Site Monergismo, [s.d.]. Disponível em Acessado em: 28 Jun 2006.
STOTT, John. A mensagem de Gálatas: Somente um caminho. 1ed. 1989. 3reimp. 2003. Trad. Yolanda Mirdsa Krievin. São Paulo: ABU, 2003. 171 p.
SUPLICY, Marta. Conversando sobre sexo. 17ed. rev. ampl. Petrópolis: Edição da Autora, 1991. 407 p.
WHITE, John. Eros e sexualidade: Uma perspectiva cristã. Trad. Lucy Yamakami. São Paulo: ABU, 1994. 193 p.
As ilustrações utilizadas neste estudo são de autoria de Biry, e foram extraídas do livro Transar ou não transar, de Sérgio e Magali Leoto.
Autor: Misael Nascimento - http://www.misaelbn.com/

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As convicções bíblicas para plantar novas igrejas

Paulo constitui-se, sem dúvida, no maior paradigma de plantação de igrejas dentro do cristianismo. Dois aspectos, entre muitos, podem explicar esta singularidade do apóstolo. O primeiro relaciona-se com o fato dele conjugar em sua pessoa uma combinação rara de características que, a meu ver, não foi repetida em sua plenitude por nenhum outro personagem da história das missões cristãs: teólogo, missionário e pastor. Foi ao mesmo tempo um teólogo profundo cuja mente brilhante fora capaz de, sob o influxo do Espírito, de sistematizar as bases da teologia cristã, um missionário ardoroso cuja paixão evangelística o levou a ultrapassar enormes barreiras para compartilhar a boa nova do evangelho e ainda revelou-se um pastor extremamente cuidadoso com os seus muitos filhos espirituais. Um segundo aspecto relaciona-se com sua estratégia missionária. Paulo teve como ponto de partida e de chegada de suas atividades missionárias a plantação de novas igrejas. Focado nas cidades do seu tempo, revelando claramente uma ênfase urbana em sua maneira de fazer missões, plantou durante dez anos (de 47 a 57) igrejas na Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia, províncias que compunha uma das bases principais do império Romano.
O problema com paradigmas tão completos como Paulo é a tentação de vê-los como inalcançáveis e distantes da nossa realidade comum. Para evitar esta reação e não fazer de Paulo um padrão anacrônico, precisamos perceber quais são as pontes a nos ligar com a realidade dele e com clareza discernir o que é repetível em nosso contexto e aquilo que é próprio, único e irrepitível na pessoa e ministério do apóstolo dos gentios. Esta é uma tarefa bem maior do que o espaço deste pequeno artigo, por isso mesmo, proponho que nos centralizemos em um ponto de ligação entre Paulo como plantador de igrejas e cada um de nós hoje envolvidos no processo de plantar uma nova igreja. As convicções que levaram o apostolo a plantar novas igrejas devem ser as mesmas a inspirar, orientar e julgar as nossas!
Paulo se moveu basicamente ancoradas em quatro convicções que se tornaram em si mesmas suas mais profundas motivações para plantar novas igrejas:
A Convicção Ministerial: A Edificação da Igreja de Cristo
Paulo percebeu a essência do seu chamado ministerial como sendo para edificar a igreja de Jesus Cristo. Entendeu que as promessas dadas por Deus ao longo da história, como a restauração de Israel, a criação de um povo santo vivendo dentro de um novo paradigma de relações comunitárias nas quais as barreiras entre judeus e gentios seriam superadas, se concretizariam todas na igreja de Jesus (Ef 2). A igreja plenificaria as promessas, mas também esta mesma Igreja, na visão Paulina, era a plenitude histórica de Cristo, ou por palavras mais teológicas, é na eclesiologia que a cristologia se plenifica historicamente (Ef 1.23, Ef 2.15; 4.24; Cl 3.10). Ao plantar uma nova igreja, Paulo entendia estar dando concretude histórica a presença de Cristo neste mundo. Por isso ele via seu ministério como sendo o de edificar, construir, plantar, regar, fazer crescer a igreja de Jesus.
A Convicção Missionária: As Boas Novas como instrumento mais essencial da edificação da igreja
Na complexa “arquitetura” de edificar a igreja de Jesus, Paulo tinha uma preocupação essencial com o alicerce. O fundamento desta igreja era o evangelho, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (I Cor 3:10-12; Ef 2:20). Sua incrível criatividade metodológica de se fazer “tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns”( I Cor 9:20-23) não implicava em negociar o conteúdo básico ou a raiz mais profunda sobre a qual a igreja ia crescendo: a pregação da boa nova do evangelho. Nenhum método substituía este elemento central que na visão do apostolo era sem dúvida o mais e o único eficaz parar plantar, regar e fazer crescer a igreja de Cristo. Não era difícil então supor que a realização do apóstolo não se dava por conta de qualquer resultado, mas sim quando via as igrejas plantadas por ele fundamentadas no evangelho!
A Motivação Escatológica: O fim já começou!
Qualquer leitura, mesmo a mais desatenta das cartas paulinas, vai nos dar conta da curta perspectiva escatológica do apóstolo. Para ele o final dos tempos começou quando o tempo chegou a sua maturidade, alcançou a plenitude na pessoa de Jesus. Todas as coisas, as celestiais e terrenas, que convergiriam em Cristo, começaram no seu tempo (1 Cor 10:11; Gl 4:4, Ef 1:10). Tal perspectiva injetava em suas veias missionárias um senso de urgência tão profundo que o levava a não ter dúvida de que "eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação” (2 Co 6.2b). O semear novas igrejas por todo o império era uma resposta imediata a urgência da missão. Não havia tempo a perder. Jesus batia a porta da história e convinha até sua chegada definitiva estabelecer sua igreja!
A Convicção Metodológica: A plantação de Igrejas Locais
Todas estas motivações geradoras da atividade missionária paulina encontrava na organização de igrejas locais sua face concreta e histórica. Os convertidos ao evangelho pregado se reuniam em comunidades locais dentro das quais cresciam na fé e no conhecimento! Estas comunidades não viviam somente do carisma, ou da dimensão espiritual e romântica da fé, organizavam-se institucionalmente, como por exemplo, o estabelecimento de uma “hierarquia” mínima e de processos de eleição das suas lideranças (At 14.21-23). Era dentro do contexto da igreja local que Paulo discipulava os novos, identificava liderança e os levava a assumirem o cuidado das igrejas, embora o apóstolo nunca deixou de voltar e supervisioná-las (At 15.36; 16.4-5; 18.23).
Está posto então que na ponta última da cadeia de convicções de Paulo estava a plantação de uma igreja local. Não fosse esta convicção metodológica de plantar igrejas locais, a atividade missionária de Paulo tenderia a se pulverizar e mesmo não ter qualquer relevância e permanência na história, visto que foi pelas igrejas que plantou que o evangelho foi sendo disseminado de geração em geração.
O contato com estas convicções de Paulo deve inspirar a todos nós envolvidos hoje com o processo de plantação de novas igrejas a uma tarefa mínima e essencial: checar diante de Deus a saúde, a pureza e firmeza das nossas!. Isto porque, como sabemos todos, com muita rapidez podemos estar construindo impérios pessoais e dando a eles o nome de Reino de Deus. Este texto quer nos ensinar que o processo de plantação de uma nova igreja começa nas convicções. Elas habitam a dimensão subjetiva do nosso ser e a parte invisível do nosso olhar, por isso mesmo, estão na ordem do essencial! São elas e somente elas que nos farão lutar o bom combate, por elas vale a pena lutar todas as lutas e enfrentar todas as barreiras para plantar uma nova igreja. Nunca é tarde para lembrar e nem é muito repetir: diante de Deus são as nossas motivações que qualificam as nossas ações. A pergunta que não pode calar nunca no processo de plantação de uma nova igreja é, quais são as convicções básicas que me levam a plantar uma nova igreja? Sem dúvida que a fantástica experiência de Paulo como plantador de igrejas é um referencial indispensável para respondermos para o nosso coração diante do olhar daquele que tudo sonda, a esta pergunta!
Autor: Rev. Eduardo Rosa Pedreira
Plantador e pastor da Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca e um dos diretores do CTPI

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Veja oito hábitos saudáveis para viver melhor

A vida sedentária, má alimentação e os maus costumes, em geral, vão deteriorando a qualidade de vida e o corpo sofre com doenças. Descubra hábitos simples que ajudam você se sentir melhor.

1. Hidratação

Uma boa hidratação melhora a elasticidade da pele. Prefira água a bebidas açucaradas ou refrigerantes que contêm gás e além de tudo engordam.

2. Exercício

Caminhe, ainda que alguns minutos por dia, suba escadas, nade. Mexa seu corpo. O sedentarismo favorece o risco de doenças cardiovasculares, diabete do tipo II, obesidade, hipertensão arterial, excesso de peso, osteoporose, depressão e ansiedade, segundo a Organização Mundia de Saúde (OMS).

3. Alimentação

Inclua na sua dieta diária uma porção de frutas e verduras. Estas comidas não só alimentam, mas também não engordam e têm propriedades que ajudam a controlar o intestino, além de diversos tipos de vitaminas necessárias para o bom funcionamento do corpo.

4. Descanso

Tenha algum tempo para descansar. Seu corpo necessita de um período de 6 a 8 horas para se recuperar das atividades diárias. A falta de sono está vinculada ao prejuízo do corpo e da mente.

5. Diversão

Você precisa de momentos para mudar a rotina, esquecer o trabalho. Está comprovado que o sorriso é uma excelente terapia contra o estresse e a ansiedade.

6. Postura

Procure adotar uma posição adequada no escritório. As cadeiras incômodas podem fazer com que você termine em uma visita ao ortopedista. Disponibilize alguns momentos para esticar os músculos durante a sua jornada laboral. Isto ajuda a evitar dores nas costas, ombros, braços, pescoço e cabeça.

7. Cuidado

Não descuide de seu aspecto pessoal, ainda que você não esteja se sentindo bem. Sentir-se agradável com relação aos outros aumenta a produção de endorfinas, o hormônio responsável, em boa parte, para que as pessoas se sintam felizes.

8. Controle

Visite um médico periodicamente. Não se automedique nem comece dietas sem a supervisão de um especialista. Não deixe tratamentos no meio do caminho e, sobretudo, tenha sempre uma atitude positiva.

Fonte: http://www.saude.terra.com.br/

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